Padre italiano, João Crippa.
(Foto: Divulgação)
A Arquidiocese Metropolitana de Campo Grande marcou para o dia 20 de outubro, a abertura oficial do Inquérito Diocesano da Causa de Beatificação do Padre João Crippa (SDB). A sessão solene ocorrerá das 18h às 18h40, na Paróquia São José, no centro da capital do estado. O evento contará com a participação do postulador da causa, Dr. Paolo Vilotta, que virá diretamente de Roma, na Itália.
O início do processo canônico confere oficialmente ao sacerdote o título de Servo de Deus, designação atribuída pela Igreja Católica àqueles que têm sua causa de beatificação formalmente aberta. Com este ato, o Padre João Crippa se tornará o primeiro Servo de Deus do estado, em reconhecimento à sua marcante trajetória de fé, dedicação pastoral e serviços prestados à população sul-mato-grossense.
"Temos aqui várias pessoas que agradecem a ele por tantos anos", destacou o pároco da Paróquia São José, P. Paulo Roberto de Oliveira, ressaltando o papel do religioso como um homem de coragem e testemunho cristão. Após a solenidade, às 19h, o arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, presidirá uma Santa Missa em ação de graças. A celebração terá a concelebração de Dom André Alves dos Santos, OSB, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia, vindo da Arquidiocese de São Paulo.
Da visita do Reitor-Mor à abertura da causa
A articulação para o processo de beatificação ganhou força em 8 de março de 2024, durante a visita do então Reitor-Mor dos Salesianos, Cardeal Ángel Fernández Artime, à capital. Na ocasião, o cardeal visitou a Igreja São José, local onde estão depositados os restos mortais do sacerdote, e deu parecer favorável ao início dos trâmites devido à forte fama de santidade de João Crippa e aos relatos de graças alcançadas pelos fiéis. A partir desse diálogo, a Arquidiocese e a Missão Salesiana avançaram com os preparativos jurídicos.
Uma vida dedicada à missão salesiana e ao Pantanal
Nascido em 10 de outubro de 1861, em Asso, na região da Lombardia, Itália, João Crippa conviveu diretamente com São João Bosco durante seu período de formação. Ordenado em 1894, trabalhou no Uruguai e em São Paulo antes de desembarcar na antiga região de Mato Grosso, em 1912. Atuou em Cuiabá e junto aos indígenas Bororo, passando posteriormente por Aquidauana e Miranda.
Em Campo Grande, marcou a história local ao adquirir, em 1925, os lotes para fundar o Oratório São José, conhecido como “Capelinha”, voltado para o acolhimento e evangelização de crianças e jovens. Ele também idealizou a construção da atual Igreja Matriz de São José, cuja pedra fundamental foi lançada em 1938. O sacerdote faleceu em Três Lagoas, em 1º de agosto de 1941, aos 80 anos.
O Inquérito Diocesano que se inicia agora irá coletar depoimentos, documentos e provas sobre a vida e as virtudes heroicas do religioso, que em suas últimas palavras exortou: “Insista, insista a fim de manter o espírito de Dom Bosco!”.
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