Chuva cancela desfile cívico de aniversário em Campo Grande.
(Foto: Magno Lemes/G1 MS)
Mesmo sob as fortes chuvas que fizeram a prefeitura anunciar o cancelamento do tradicional desfile cívico-militar na manhã desta quarta-feira, 26 de agosto, o clima em Campo Grande é de orgulho e celebração. A capital sul-mato-grossense completa oficialmente 127 anos de emancipação política, reafirmando-se como um dos centros urbanos mais dinâmicos, arborizados e acolhedores do Centro-Oeste brasileiro. O apelido carinhoso de "Cidade Morena" — motivado pela marcante terra roxa e avermelhada que sustenta suas largas avenidas — hoje dá tom a uma trajetória que une o respeito ao passado e o olhar atento ao futuro.
Apesar do cancelamento do desfile cívico, a tradicional Corrida do Facho provou que o fôlego da capital continua intacto. A largada teve início as 6 horas da manhã, mesmo embaixo de chuva.
O bolo de 32 metros também está mantido. A distribuição do mega bolo de aniversário feito com 1,4 mil ovos e recheio de doce de leite está confirmada. A montagem da estrutura começou às 10h na Avenida Afonso Pena (entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho), com o corte oficial agendado para as 11h. A entrega utilizará pratos e garfos ecológicos.
Dos trilhos do progresso ao asfalto moderno
A história que deságua na metrópole de quase um milhão de habitantes começou a ganhar contornos em 1872, quando o mineiro José Antônio Pereira fixou morada na confluência dos córregos Prosa e Segredo. O pequeno Arraial de Santo Antônio expandiu-se rapidamente, mas foi a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1914, que conectou definitivamente a região aos grandes eixos econômicos do país.
Essa conectividade atraiu correntes migratórias diversas: paulistas, mineiros, gaúchos, além de comunidades internacionais fundamentais, como libaneses, japoneses, paraguaios e bolivianos. Essa mistura consolidou uma identidade gastronômica e cultural única, onde o sobá e o chipa dividem a mesa com o tradicional tereré. Em 1977, com a divisão do estado, a cidade assumiu seu papel definitivo como capital política e administrativa da nova unidade federativa.
Preservação e novos horizontes urbanos
Hoje, caminhar pelo centro da cidade é cruzar caminhos com a história preservada em patrimônios como a Morada dos Baís ou a revitalizada Rua 14 de Julho. Ao mesmo tempo, os mananciais urbanos e os parques, como o das Nações Indígenas, mantêm vivas as copas dos ipês floridos e o revoar diário das araras-canindé, símbolos integrados à paisagem de arranha-céus.
Campo Grande chega aos 127 anos provando que sua maior riqueza vai além do asfalto ou dos números: está na capacidade contínua de abraçar quem chega e de se reinventar sem perder suas raízes.
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