Famílias festeiras descem a ladeira com cortejo à São João batista.
(Foto: Rene Márcio Carneiro/PMC)
O frio e a chuva que atingiram Corumbá na noite de terça-feira, 23, e na madrugada desta quarta-feira, 24 de junho, não impediram os festeiros corumbaenses de realizarem o tradicional Banho de São João nas águas do rio Paraguai. A descida dos andores pela Ladeira Cunha e Cruz marcaram o ponto alto da festividade que todos os anos reúne famílias devotas que renovam a fé a tradicção centenária em Corumbá.
Realizada no Porto Geral, a cerimônia encerrou com chave de ouro cinco dias de festividades intensas. O evento mobilizou moradores, turistas e devotos em torno da tradição reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2021. Neste ano, 109 festeiros cadastrados pela Fundação da Cultura participaram oficialmente da celebração. O grupo manteve viva uma manifestação que atravessa gerações e constitui um dos principais símbolos da identidade cultural corumbaense.
O momento mais aguardado pelo público ocorreu quando os andores das famílias festeiras e o andor oficial da Prefeitura, carregado pelo prefeito Gabriel Alves de Oliveira e pelo governador Eduardo Riedel, desceram em procissão até às margens do rio Paraguai. Mais de uma centena de festeiros certificados acompanhou o cortejo religioso. O percurso foi embalado por cânticos em louvor a São João.
Eduardo Riedel, claramente contagiado com a celebração, disse que sentia um grande prazer por estar vivendo o Banho de São João em Corumbá. "Essa tradição representa nossa alma e nossa história".
O prefeito Gabriel Alves de Oliveira, destacou a importância de participar do evento de perto, junto com a comunidade. "Essa festa da cultura de nossa cidade é maravilhosa, só o corumbaense sabe fazer. Uma das minhas maiores gratificações é visitar a casa dos festeiros tradicionais para acompanhar de perto a tradição e devoção deles, esse ano, inclusive com a presença do governador".
Na sequência da noite, a imagem do santo foi banhada com as águas do rio Paraguai. O ritual evoca diretamente o batismo de Jesus Cristo por João Batista no rio Jordão. Para os fiéis participantes, o gesto representa um forte ato de renovação espiritual, fé e devoção. O momento transformou a margem do rio em um dos cenários mais emblemáticos de toda a celebração pantaneira.
Ao longo da descida pela ladeira, antigas tradições transmitidas entre gerações voltaram a ocupar um espaço de destaque. Segundo a crença popular local, quem passa por baixo de sete andores no trajeto de ida e de volta aumenta significativamente as chances de arrumar um casamento própero. Outra prática se dá quando andores se encontram na ladeira, em um sinal claro de respeito mútuo e profunda devoção compartilhada, as famílias festeiras fazem o cumprimento de seus andores, unindo a comunidade em um único clamor de celebração e identidade cultural.
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