David Oliveira, filho de Ogum, tem São Jorge como exemplo de garra e sabedoria.
(Foto: Arquivo Pessoal)
Hoje, 23 de abril, uma grande legião de devotos celebram o dia de São Jorge. Segundo a história, Jorge era cristão e soldado do exército romano, porém ele foi morto em 303 d.C. porque teria se negado a matar e perseguir cristãos — uma ordem direta de Diocleciano, então imperador romano. Jorge foi então decapitado no dia 23 de abril, data em que hoje celebra-se o Santo Guerreiro, como é conhecido.
No sincretismo religioso, São Jorge e Ogum se tornam um só, mesmo que cultuados de maneiras diferentes na religião católica e nas de matrizes africanas, os devotos do santo e do orixá preservam a mesma paixão e intensidade na hora de elevar a sua fé.
Corumbá, cidade com vasta ancestralidade negra, possui ao menos 490 terreiros registrados com alvará de funcionamento. Nestes locais, os devotos se reúnem numa grande festa para reverenciar Ogum, as festividades envolvem toda a comunidade em retribuição as bençãos alcançadas no último ano.
David Oliveira, que em seu batismo espírita recebeu o Digina Megegan, é filho de Ogum e devoto de São Jorge Guerreiro. Batizado no terreiro de Ilê Axé Palácio da Oxum, com Tateto Genereci de Oxum, conhecido como Pai Vivaldo, David conta que nessa data, os devotos entregam uma oferenda ao santo, fazem a reza do terço, seguido vem a queima de fogos e depois inicia-se a celebração da festa e o almoço, que é servido ao povo da comunidade, geralmente feijoada ou churrasco.
Para David, São Jorge é quem me lhe dá luz. "Ogum é garra, sabedoria e caminho. Todas terças e sextas, às 05h da manhã, eu me ajoelho aos pés do altar para fazer minhas orações ao meu santo protetor. Peço sabedoria e clareza de espírito para tomar a atitude certa no momento certo. Eu não tenho palavras pra descrever, mas sinto uma força e uma fé enorme nos dois santos, no Ogum e no São Jorge. Porque pelo ciclo, eles são a mesma entidade, mas cultuados de maneira diferente. Meu orixá, eu agrado fazendo a novena de São Jorge Guerreiro, oferecendo ao povo o pouco que eu tenho pra dar, que é de coração. E isso envolve toda a minha família", explica David.
O devoto, que há três anos encerrou sua promessa ao santo guerreiro, hoje participa e contribui com a festa de um irmão. Ele conta que no momento em que reza o terço, se desliga totalmente do mundo exterior, aquele é um momento único de ligação entre ele, Ogum e São Jorge.
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