Matrículas - Sesi

Uma questão de respeito

Por Sylma Lima31 OUT 2017 - 09h48min

Quando eu fiz 14 anos fui trabalhar numa loja: Dobes presentes. Era uma menina que precisava ajudar a mãe separada e com oito filhos para criar. Nas horas de folga, dava uma fugidinha e ia para a farmácia (bem em frente) Dom Bosco, e ali passava parte dos meus intervalos conversando com Seo ‘Rolinha’ (pai do Ruiter) e sempre que saia, ele tirava do balcão de vidro (ficava em cima) uma ‘chupetinha’ de açúcar e me dava, ‘para adoçar a vida’ . Eu saia dali feliz para enfrentar o restante da minha jornada de trabalho com Lucas e Alinete Dobes. Depois das festas de final de ano nos éramos demitidas.

Voltava para a escola Santa Teresa, onde cresci na ‘ala’ pública, mas, mantendo um circulo de amigos do particular. Ali estudava meu ex marido inspetor Alberto, Ruiter e Paulo Duarte (as meninas achavam eles uns gatos). Nossa infância e adolescência foi alí no Salesiano de Santa Teresa. Mais tarde, passado alguns anos a farmácia fecha suas portas, não tenho certeza, mas acho que , Seo Rolinha tinha dó e dava remédio para muita gente carente, que entrava com a receita e saia com o medicamento. Aos 21 anos , já com um filho, fui para a Radio Clube e por volta  das 6h da manhã fazíamos um programa ao vivo, chamado ‘Patrulha da cidade” com o jornalista Armandinho Anache.  Quase que diariamente me deparava com  Seo ‘Rolinha’,de bermuda e chinelo vendendo jogo de loteria, daqueles que tinham um bilhete enorme que a gente destacava um pedaço. Ele sempre estava lá, na porta do banco Real. As vezes subíamos ate o café néctar para saborear um quentinho e contar as noticias do dia, pois ,curioso, adorava saber tudo que estava acontecendo na nossa cidade.

O tempo passou. Eu cresci, Ruiter cresceu foi para a Agencia Fazendária, cada qual seguindo seu destino. Aliás, ainda que sem nos falar,  frequentávamos, quase sempre as mesmas rodas de amizade. Ele foi prefeito por oito anos , e nunca contratou  minha empresa, entretanto, no final do mandato veio ate meu escritório pedir minha ajuda para eleger seu amigo Paulo Duarte deputado estadual. Eu o atendi , afinal, a palavra depois de empenhada não volta atrás. Depois disso tudo Paulo foi deputado e  prefeito de Corumbá. Antes amigos, hoje adversários políticos que acabaram se  enfrentando nas urnas. Ruiter reassumiu a prefeitura, e acabamos em lados opostos, afinal, ele mesmo nos ‘colocou nessa’.

Durante estes meses eu tentei de tudo para fazer uma aproximação amigável, mas nunca deixaram, sequer falar comigo e ele mesmo se negou em me dar entrevista varias vezes. Mas, faz parte do jogo. Temos divergências de opiniões, entretanto, com o episódio de sua doença , passei as ultimas 24 orando pela sua recuperação. Fiz apelo ao meu grupo das amigas evangélicas e nos colocamos a orar em busca de um milagre que só o senhor Jesus Cristo pode fazer. Afinal, ele cresceu ao lado, casou-se com Beatriz Rosália, a menina linda que morava perto de casa e muitas vezes caminhávamos juntas no final da aula.

Definitivamente ele não é um inimigo. Pelo contrário, hoje sei mais que tudo, que ele precisa viver, ainda que seja para me processar, pedir direito de resposta, me enfrentar,  ....Não importa...Tomei  um Rivotril mas, não consegui dormir, levantei as 4h da manhã e continuo pensando nisso tudo. Estou muito triste. Por mais que brigasse com ele, contestasse suas ideias, quero ele muito que ele saia dessa. Não queria que  passasse por uma situação tão dolorosa. Ele só tem 53 anos, tem muita coisa para fazer, muita vida para viver, filhos para ver crescer...Em fim....Eu acredito em milagres e já estou em oração.

Que o senhor lhe conceda a saúde para que possamos passar os próximos 30 anos brigando e debatendo. Que as pessoas aprendam a separar a vida publica da pessoal. Ele é prefeito, eu jornalista mas, antes de tudo vem o respeito.

Foto tirada em Março deste ano, ocasião em fui uma das homenageadas pela Câmara Municipal no dia da mulher. Uma pausa para a foto co o prefeito. Foto: Thethis Ibanez

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