Sábado, 28 de Março de 2026
Política

Deputados e PT criticam Riedel por defender anistia, mas não vão entregar cargos no Governo

08 abr 2025 - 07h59   atualizado em 03/03/2026 às 09h32

Gesiane Sousa

Deputados e PT criticam Riedel por defender anistia, mas não vão entregar cargos no Governo Petistas são unânimes em criticar governador por defender anistia as bolsonaristas, mas não vão romper com o Governo. (Foto: Arquivo)

Deputados estaduais petistas e o diretório regional do PT reagiram com indignação à manifestação do governador Eduardo Riedel (PSDB) a favor da anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, que incluiu invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes. No entanto, o partido não pretende romper e entregar os cargos no Governo tucano.

“Considero necessário aprovar uma anistia, que em muitos casos também tem caráter humanitário”, defendeu o governador em postagem nas redes sociais no último sábado (5). “Do meu ponto de vista, não dá para julgar e penalizar com a mesma régua o que é completamente diferente! Do ponto de vista político, acredito que o Congresso Nacional tem obrigação de votar a matéria, considerando-a inclusive como um passo imprescindível para a pacificação do país”, defendeu.

Os deputados Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT criticaram a manifestação do governador. “A posição do governador em relação ao capcioso projeto de anistia gera preocupação, indignação e questionamentos. A concessão de anistia a aqueles que atentaram contra o Estado democrático de direito e contra as instituições do país é uma grave afronta à justiça, à verdade e à memória histórica”, afirmou Gleice, atual líder do PT na Assembleia Legislativa.

“Permitir que os responsáveis por atos de violência, destruição e ameaças à democracia sejam isentos de punição representa um retrocesso perigoso para o povo brasileiro. A anistia não pode ser utilizada como ferramenta para silenciar a responsabilização. A tentativa de golpe de 8 de janeiro não pode ser relativizada ou perdoada sem que haja um processo adequado de julgamento e responsabilização”, afirmou.

Ex-governador por dois mandatos, Zeca também criticou a defesa da anistia. Ele disse que não se trata de velhinhas, mas de baderneiros que depredaram e destruíram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, causando um prejuízo de R$ 30 milhões. “Não é brincadeira, tem que ser condenado sim”, defendeu o ex-deputado.

Já sobre a decisão de romper com o tucano, Zeca foi claro. Ele se manifestou contra a saída do Governo e afirmou que o governador convidou o PT para integrar a administração estadual como reconhecimento pelo apoio fundamental para a vitória contra o Capitão Contar (PRTB), que chamou de extremista de direita. “Sem o apoio do PT, ele não ganhava. Se ele quiser, que nos tire”, afirmou Zeca do PT.

A Executiva do PT publicou uma nota criticando a anistia. “A extrema direita, para quem o Governador defende anistia, foi derrotada, e nos causa indignação essa manifestação de apoio. Acreditamos que é, no mínimo, incoerente para quem quer se apresentar como democrata e defensor da soberania popular expressa nas urnas”, afirmou, em nota.

Confira a nota na íntegra:

“Nota da Executiva Estadual do PT

 A Executiva Estadual do PT reunida nesta segunda-feira, 07/04/2025, com a presença da Bancada de Deputados e Deputadas Estaduais e Federais, vem a público manifestar sua total oposição a manifestação do Governador do Estado, Eduardo Riedel, em favor da anistia aos golpistas extremistas do dia 08 de janeiro de 2023. Dada à gravidade dos fatos, essa posição é inaceitável.

A direção do PT cobra coerência do Governador, tendo em vista que nas eleições de 2022, em respeito aos valores democráticos, à civilidade na política, contra o negacionismo e o extremismo, o PT apoiou Eduardo Riedel no segundo turno das eleições.

A extrema direita, para quem o Governador defende anistia, foi derrotada, e nos causa indignação essa manifestação de apoio. Acreditamos que é, no mínimo, incoerente para quem quer se apresentar como democrata e defensor da soberania popular expressa nas urnas.

Ao falar no caráter humanitário de um projeto de anistia, cobramos que esse sentimento esteja presente no respeito às comunidades indígenas e às famílias acampadas, que rotineiramente são tratadas com violência por reivindicarem seus direitos à terra, à água e à vida.

Quanto a obrigação do Congresso em votar um projeto de anistia (rejeitado por 62% do povo brasileiro), entendemos que existem pautas mais urgentes e necessárias, como, por exemplo, a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e a cobrança justa do imposto dos milionários. É isso que o povo espera do Congresso com o apoio dos governadores.

É verdade, quando o Governador diz que, “Não dá para errar de novo e no mesmo lugar”, porque o Brasil já cometeu o erro de aprovar uma anistia que perdoou os crimes cometidos pelos militares após o Golpe de 1964, que prendeu, torturou e matou cidadãos brasileiros. Tal fato, permitiu que os golpistas do dia 08 de Janeiro de 2023 fizessem o que fizeram, imaginando que mais uma vez sairiam impunes. Sendo assim, uma nova Anistia é errar novamente no mesmo lugar.

Desta forma, o PT de Mato Grosso do Sul reafirma o seu compromisso histórico e programático  com a democracia, e qualquer caminho que não aponte para esse objetivo não contará com nosso apoio.

As consequentes medidas políticas decorrentes dessa nossa posição serão tomadas em consonância com nossa base partidária, a Direção Nacional do PT e o núcleo político do Governo Lula, levando em conta nossa prioridade de reelegermos o nosso projeto nacional, com ampliação das nossas bancadas e a conquista de uma das vagas ao senado.

Comissão Executiva Estadual do PT/MS
Vladimir Ferreira
Presidente do PT/MS”

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