Deputado defende que União deve se abrir para debate, sem deixar Ibama defendendo "verdades absolutas".
(Foto: Divulgação/ALEMS)
Diante do veto do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para a viabilidade da Hidrovia Paraguai Paraná, o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) pede que o Governo Federal "olhe com carinho" o debate sobre a Hidrovia. Ele diz que a falta de iniciativas para contribuir com o desenvolvimento, pode condenar a região ao isolamento.
Assim como ocorre com a exploração do petróleo na margem equatorial, no Amapá, no Estado também há posições divergentes dentro do Governo Federal. De um lado, o Ministério dos Transportes lançou debate público, antecedendo a concessão da Hidrovia no Rio Paraguai, mas há oposição de autoridades da área ambiental, com Duarte mencionando especificamente o Ibama.
“Estou aqui pedindo uma solução técnica e não política. Ouça o outro lado, que as posições do Ibama não ganhem contorno de “verdade absoluta”, disse o deputado, em entrevista em que retoma o assunto. Quem contesta, é taxado de louco que quer acabar com a natureza, compara.
Segundo ele, não aceitar debater é um argumento pobre. Duarte lembra que é corumbaense e tem legitimidade para falar sobre o assunto. O parlamentar é defensor da dragagem pontual do rio, como previsto no plano inicial da concessão, no chamado Tramo Sul, entre Corumbá e a cabeceira do Rio Apa, trecho de 600 quilômetros. Quem conduz o tema é a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).
Após essa defesa, ontem, durante o lançamento do Pacto Pantanal, Duarte acabou sendo cobrado pelo secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, que poderia ser corresponsável por eventuais danos ambientais ao Pantanal. Ele mencionou preocupação com a possibilidade de derrocamento e aprofundamento do leito do Rio Paraguai, alterando o regime hídrico.
Duarte retomou o tema para sustentar que é preciso considerar intervenções para tornar o rio navegável o ano todo, uma vez que chega a ficar impossibilitado por cerca de quatro meses durante o período de seca.
O parlamentar menciona que Corumbá detém minério de ferro e manganês entre os de melhor qualidade no mundo e a falta de logística pode prejudicar a atividade e a economia da região. A hidrovia despontou como caminho essencial para o escoamento uma vez que a malha ferroviária foi desativada.
Hoje, ela foi assumida pela Rumo, que recebeu outros trechos no País. Duarte defende que a União seja mais rígida em relação à concessão da malha oeste da ferrovia, que está desativada, de Corumbá a Três Lagoas. A Rumo tem outro trecho de malha, a Ferronorte, que escoa grãos do Mato Grosso e passa pela região do Bolsão, cruzando o Rio Paraná em Aparecida do Taboado para seguir ao Porto de Santos, mas não sinaliza para a possibilidade de retomar o transporte no Estado.
“É o tal do nada pode”, diz. Não havendo a ferrovia e nem a hidrovia, ele repete que a região está condenada à falta de desenvolvimento. A alternativa é o transporte rodoviário, que tornou a BR-262 um “cemitério a céu aberto”, com tamanduás, capivaras e onças atropeladas. São cerca de 700 caminhões por dia, circulando sobre uma rodovia sem condições, por ter sido feita sobre aterro de trechos úmidos do pantanal. A Bolívia também precisa da hidrovia para importar e exportar produtos..
“O caminho que nós temos, mais viável, é o da hidrovia”, cita, defendendo que deve haver a concessão, com o monitoramento periódico e a suspensão da dragagem pontual de sedimentos se verificado impacto. Duarte cita que a retirada é diferente de aprofundamento do leito do rio, que poderia impactar no regime de cheias..
Bioma Pantanal
Para o parlamentar, falta maior conhecimento sobre o Bioma por autoridades federais. Ele aponta que a Amazônia acaba por merecer maior atenção, citando que o Pantanal tem sua dinâmica de produção pecuária estabelecida há três séculos e é preciso apoiar o desenvolvimento sustentável.
Ontem, ao anunciar o Pacto, o Governo Estadual colocou em funcionamento o Fundo Clima Pantanal, que terá como uma das frentes o chamado PSA (Pagamento por Serviço Ambiental), que é a remuneração ao proprietário rural pela proteção dos recursos naturais, preservando o bioma, iniciativa elogiada pelo deputado.
Duarte reforça sobre a questão do desconhecimento o sistemático erro no nome do Estado. “Parece uma bobagem, mas não é”, diz. É revelador da visão “com alto grau de preconceito”, por acharem que “somos periféricos e não merecedores da atenção que outros estados têm”. Por isso, Duarte disse que ontem elevou o tom da cobrança porque é preciso cobrar autoridades. “Eu estava na minha casa, na nossa casa.”.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Deixe seu Comentário
Leia Também
MS lança campanha "Seu Abraço Aquece" e abre inscrições para entidades beneficiadas
Sorteio de moradias garante casa própria para 181 famílias em Corumbá
Paulo Duarte anuncia destinação de área para mais 300 casas em Corumbá
“Não há nada mais gratificante que a segurança de um lar”, diz Dr. Gabriel em sorteio de casas
Cazarin busca informações em relação a eventual falta de insumos na Santa Casa
Moradores reclamam de vegetação alta em rotatória do Bairro Cervejaria
Hanna prega parceria entre Brigada e Prefeitura visando melhorias na Ramão Gomez
Sorteio de 181 moradias do Minha Casa Minha Vida acontece hoje, dia 25, em Corumbá
Câmara de Corumbá derruba vetos do Executivo em projetos de saúde e segurança pública