Secretário Antônio Carlos Videira durante participação em painel sobre segurança pública.
(Foto: Divulgação/Brasil Project)
O número de mortes decorrentes de confrontos e ações policiais chegou a 94 em Mato Grosso do Sul neste ano, o dobro das 47 ocorrências registradas no mesmo período de 2025. Os dados são da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).
Segundo o secretário Antônio Videira, o aumento da letalidade está relacionado ao acirramento da disputa entre duas grandes facções criminosas com atuação nacional. Mato Grosso do Sul, por fazer fronteira com Paraguai e Bolívia, é considerado um corredor estratégico para o tráfico de drogas, principalmente cocaína, com destino a grandes centros brasileiros e ao mercado internacional.
A disputa pelo controle das rotas de tráfico se espalhou por diferentes regiões do Estado, atingindo municípios como Cassilândia, Corumbá, Nova Andradina, Maracaju, Jardim, Três Lagoas, Coxim, Pedro Gomes e Sonora.
De acordo com Videira, grupos criminosos têm enviado integrantes armados para Mato Grosso do Sul com a missão de eliminar rivais. A presença de criminosos equipados com fuzis e pistolas de alto poder de fogo tem aumentado o risco para integrantes das próprias organizações, moradores e agentes de segurança.
Entre os casos recentes está a morte de uma criança de três anos durante um confronto em Cassilândia e o assassinato de um policial militar em Corumbá.
Diante do cenário, as polícias Civil e Militar reforçaram ações táticas e o uso de equipamentos considerados de ponta. Para o secretário, a resposta repressiva é necessária para impedir o avanço das organizações criminosas e conter o aumento da violência.
A estratégia, porém, não depende apenas da atuação das forças estaduais. O Governo de Mato Grosso do Sul mantém ações de integração com outros estados, órgãos de segurança, Ministério Público, Judiciário e Forças Armadas, além de cooperação com Paraguai e Bolívia para troca de informações e localização de criminosos.
Além do enfrentamento ao crime organizado, a secretaria também acompanha os impactos da rotina de risco sobre os próprios agentes de segurança. Segundo Videira, o número de suicídios entre policiais atualmente supera as mortes de servidores em serviço no Estado.
Para atender os profissionais, a Sejusp mantém o Centro de Atenção Biopsicossocial, que oferece acompanhamento médico e psicológico, além de capacitações voltadas à prevenção e ao enfrentamento do desgaste emocional provocado pela atividade policial.
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