Onça foi identicada por câmeras de segurança de uma residência.
(Foto: Reprodução)
Um novo felino de grande porte foi flagrado "passeando" pela região do Canal do Tamengo, em Corumbá. Câmeras de segurança de uma residência registraram a presença do animal nesta semana, confirmando as previsões de especialistas sobre o comportamento territorialista da espécie.
De acordo com Cristina Fleming, diretora-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Corumbá, a aparição do novo indivíduo já era cogitada pela biologia local. "Outro indivíduo fazer a aproximação no mesmo local era algo esperado. Quando você retira um animal de uma área de vida, normalmente outro assume", explica. A área do flagrante possui características rurais, mas fica muito próxima à mancha urbana, abrigando pelo menos duas famílias no entorno imediato de onde os felinos caminharam.
Diferente do histórico da onça "Corumbella" — que envolvia o desaparecimento frequente de animais domésticos —, a nova onça-pintada não se envolveu em nenhum incidente ou ataque até o momento. A informação foi confirmada pelo capitão da Polícia Militar Ambiental (PMA) no município, Jorge Manuel Martins.
Após o chamado dos moradores, uma equipe da PMA deslocou-se até o local e, em parceria com o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), instalou armadilhas fotográficas (câmeras trap) na mata. "As imagens vão nos ajudar a identificar o animal e entender seu comportamento", destacou o capitão. A comunidade já foi orientada a adotar duas medidas cruciais de segurança: recolher os animais domésticos no início da manhã e no fim da tarde, e evitar o descarte de lixo orgânico na rua, prática considerada "ceva indireta" que atrai predadores.
Os primeiros dados apontam que a nova onça é um exemplar jovem, mas as imagens atuais não revelam o sexo ou se há outros animais com ela. A decisão de realizar uma nova captura e translocação — como ocorreu com Corumbella, hoje monitorada por colar GPS na Serra do Amolar — ainda não foi tomada. As autoridades vão analisar nos próximos meses como o felino reage às técnicas de afugentamento, que incluem o uso de refletores luminosos.
Cristina Fleming reforça que esse êxodo de grandes felinos para as bordas da cidade está diretamente associado às condições climáticas severas. "Estamos num período em que os animais procuram refúgio devido à chegada da seca. Os incêndios florestais também impactam", finaliza a diretora, alertando para a mudança de ciclo no Pantanal.
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