A inegável capacidade de articulação política de Ruiter Cunha aos poucos vai caindo no esquecimento. Dele a ideia de trazer ao foco o voto dos 65 mil eleitores de Corumbá para fazer dois, ou ao menos um deputado estadual.
A proposta, para quem tem memória fraca, era um estudo para aferir a potencialidade de nomes com chance real de convergência do eleitorado, a fim de evitar a pulverização das intenções dos votantes, muitas vezes seduzidos por favores menores de aventureiros, preterindo assim o que seria mais vantajoso ao coletivo.
Pois está chegando a hora desses aventureiros chegarem com suas promessas, no que em política é chamado de “garrafas vazias”. Gente que nunca fez nada por Corumbá e Ladário vai aparecer aqui. E na falta de nomes nossos carismáticos, vão roubar de novo a chance de termos representantes fortes em Campo Grande, e quiçá em Brasília.
Vem a lembrança que o saudoso Ruiter Cunha tinha o plano de sucesso. Uma pesquisa nesta reta final de indicações iria sinalizar à Câmara dois nomes que poderiam ser extraídos do seio do legislativo ou mesmo de compromissados com a Cidade. Porém, agora, rasga-se o pacto para lançar pessoas que dificilmente conseguirão decolar.
Ao que eu saiba, nos planos de vitória de Ruiter, estaria o nome do Corumbaense Paulo Duarte, aguerrido adversário dele próprio nas eleições municipais. Porém, por seu trabalho, como fiscal de rendas, prefeito da cidade, deputado estadual e assessor no governo de Zeca do PT tinha reconhecidamente o estofo necessário para vencer no próximo pleito, saindo de Corumbá com grande votação e granjeando também votos de fora.
Ruiter foi embora e o pacto, salvo melhor juízo, está sendo desvirtuado. Pode fazer água e não eleger ninguém, mais uma vez, ao contrário de Miranda e Aquidauana, representados na ALEMS pela concentração de votos, mesmo em colégios eleitorais extremamente menores do que Corumbá.
Paulo Duarte tem muita qualidade. É graduado em Economia, pós-graduado em Gestão Pública. É exemplo de ‘pai de família’, casado com a arquiteta Maria Clara Scardini, superintende estadual do Iphan. Seu nome deveria estar nas cogitações.
Ainda há tempo para pensar, refletir e não deixar Corumbá ficar mais quatro anos, sem deputados, a ver navios.
Falei e disse!
JOSÉ CARLOS CATALDI
Jornalista, radialista e advogado. Foi fundador da CBN e consultor jurídico da Rádio Justiça do Supremo Tribunal Federal. É detentor da Ordem do Mérito Judiciário – grau de comendador; Atuou nas Empresas Globo, Radiobrás (Presidência da República); TV Rio/Record; Redes Manchete e Brasil de Televisão; foi 4 vezes Conselheiro Federal e Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB. É debatedor convidado da Rádio Difusora de Pinda. Atua nos jornais São José dos Campos Diário, ‘O Regional’, ‘Fala Pindaa’, ‘Jornal Capital do Pantanal’, e, como comentarista e entrevistador na TV Setorial e na Rede Novo Tempo de Televisão.
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