Arcebispo Dom Dimas divulgou nota recomendando que fiéis não participem, mas grupo prega liberdade de decisão.
(Foto: Reprodução/Instagram)
O arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, orientou os fiéis católicos a não participarem do movimento religioso Legendários. A recomendação foi divulgada nesta semana em nota oficial publicada no site da Arquidiocese da Capital, em resposta a dúvidas encaminhadas por membros da comunidade.
Participar do movimento envolve, principalmente, realizar o TOP (Track Outdoor de Potencial), uma espécie de trilha ou escalada de montanha, com acampamento ao ar livre e ensinamentos cristãos. A proposta, segundo o pastor e diretor religioso do Legendários em Campo Grande, Abel Rodrigo, é que os participantes busquem se tornar "homens mais amáveis", versões melhores de si mesmos como pais e maridos.
Ele foi um dos líderes que não viajou à Guatemala esta semana para comemorar os 10 anos de criação do movimento. Ao saber da nota, se manifestou dizendo "não vamos entrar em litígio" e afirmou que "as portas continuam abertas para católicos".
"Um dos nossos valores é a liberdade. Cada homem é responsável por sua decisão de participar ou não", disse o pastor, reforçando que o objetivo não é entrar em confronto com outro representante religioso. Ele diz que prefere conciliar e frisa que o movimento vai seguir agregando "todos os que desejam seguir mandamentos judaico-cristãos".
Segurança - A nota foi republicada em versão reduzida nesta sexta-feira (25), enquanto a original foi excluída da página da Arquidiocese. A primeira citava a morte de dois participantes brasileiros durante as jornadas promovidas pelo Legendários, sendo um deles Fábio Adriano Machado Cherini, de 45 anos. Ele passou mal durante uma trilha organizada em Rio Negro, a 153 quilômetros de Campo Grande.

O pastor Abel Rodrigo reconhece que os casos geraram críticas ao movimento, mas garante que os protocolos de segurança e proteção à vida dos participantes são rigorosos.
"Antes, durante e no final de cada TOP, cada participante é acompanhado por equipe voluntária que inclui socorristas, médicos, bombeiros e militares do Exército, por exemplo. Nós exigimos exames antes do homem participar. Tudo é avaliado por uma junta. Tem todo amparo legal também", descreve.
Houve um caso em que um homem foi impedido de participar. "Ele fez a sua inscrição, mas os exames apontaram uma comorbidade que nem ele sabia que tinha", relata o diretor.
Participantes e valores - Atualmente, o movimento conta com 1.263 membros cadastrados em Campo Grande, quatro diretores e oito coordenadores.
Antes de aderir, o homem precisa assinar um termo de ciência sobre os riscos envolvidos e os objetivos da expedição. A participação não é cobrada, mas o TOP, sim. Ele dura cerca de 72 horas e tem custos que variam conforme a localização da missão.
A ida até a Ponte de Pedra, na Capital, pode ser feita por R$ 1,6 mil, segundo link que está sendo divulgado nas redes sociais do Legendários em Campo Grande. Mas em outras cidades, os valores já chegaram a R$ 80 mil, segundo já declarou o pastor Silas Malafaia, crítico ferrenho dos Legendários.
Onde surgiu - Na Guatemala, em 2015. A criação é creditada ao pastor Chepe Putzu.
No Brasil, foi popularizado por figuras como Eliezer (ex-participante do Big Brother Brasil), Thiago Nigro (do canal Primo Rico, no YouTube), Kaká Diniz (marido da cantora Simone Mendes) e Neymar da Silva (pai do jogador Neymar Jr.), além de Pablo Marçal (que se candidatou à presidência nas últimas eleições).
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