Sábado, 04 de Julho de 2026
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Homicídios caem em MS mas feminicídios e mortes sem solução crescem

11 jun 2025 - 14h16   atualizado em 03/03/2026 às 09h32

Danielly Carvalho

Homicídios caem em MS mas feminicídios e mortes sem solução crescem Feminicídios e estupros preocupam e mostram a urgência de proteção às mulheres em MS. (Foto: Arquivo/Alex Machado)

Mato Grosso do Sul apresentou uma redução nos homicídios dolosos em 2024, registrando 421 casos — uma queda de 7,06% em comparação com o ano anterior, que teve 453 ocorrências. A taxa estadual ficou em 14,01 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, que foi de 16,64. Apesar dessa diminuição, o número de feminicídios cresceu 16,67%, passando de 30 para 35. As informações constam no Mapa da Violência 2024.

Esse aumento colocou o Estado na segunda posição do ranking nacional, com 2,39 feminicídios por 100 mil mulheres — mais que o dobro da média brasileira de 1,34. A região Centro-Oeste, da qual Mato Grosso do Sul faz parte, também se destacou negativamente, com a maior taxa regional: 1,87 por 100 mil mulheres.

A publicação aponta ainda que “a maioria absoluta das vítimas de homicídio no estado continua sendo homens (356), evidenciando o recorte de gênero da violência letal, mas os dados reforçam a necessidade de políticas públicas específicas para a proteção das mulheres".

Além disso, o Estado figura entre os que mais registraram casos de estupro, tanto em número absoluto quanto proporcionalmente. Foram 2.715 notificações em 2024 — a quarta maior taxa do país, com 81,46 casos por 100 mil habitantes, número mais que o dobro da média nacional (39,10). Apesar da posição preocupante, houve uma redução de 14,98% em relação ao ano anterior.

No que diz respeito aos homicídios dolosos — aqueles cometidos com intenção de matar —, Mato Grosso do Sul aparece em uma posição intermediária no cenário nacional. Os estados com as menores taxas foram São Paulo (5,17), Santa Catarina (6,20) e o Distrito Federal (6,81). Já os maiores índices foram registrados no Ceará (34,42), Pernambuco (33,55) e Alagoas (30,96).

Entre as vítimas sul-mato-grossenses, 356 eram homens, 57 mulheres e oito pessoas sem identificação de sexo. Também foram notificadas 696 tentativas de homicídio ao longo do ano.

Outro dado que chama a atenção é o crescimento acentuado dos latrocínios — roubos seguidos de morte. Em 2024, o Estado somou 22 casos, um aumento de 266,67% em relação aos seis casos de 2023. Foi o maior salto percentual do Brasil. Nacionalmente, houve 956 ocorrências, o que representa uma média de três por dia e uma leve queda de 1,65% em relação ao ano anterior.

Mato Grosso do Sul também lidera em registros de mortes sem indícios de crime e sem esclarecimento: foram 798 ocorrências, o equivalente a uma taxa de 27,5 por 100 mil habitantes — a mais alta do país.

Em relação a desaparecimentos, foram registrados 391 casos em 2024, tornando-se o segundo estado com a menor taxa proporcional do Brasil. São Paulo lidera o número absoluto de desaparecidos (19.966), enquanto o Acre teve o menor total (376).

Outros indicadores também preocupam: os suicídios cresceram 67,84% em MS, saltando de 171 para 287 casos. Isso resultou em uma taxa de 9,89 por 100 mil habitantes — a sétima mais alta do Brasil. Os maiores números absolutos ocorreram em São Paulo (2.921), Minas Gerais (2.006) e Rio Grande do Sul (1.506), com taxas entre 6,35 e 13,41.

Em 2024, o Brasil registrou 6.134 mortes decorrentes de ações de agentes do Estado. Na contramão de estados como Bahia (1.557) e São Paulo (813), Mato Grosso do Sul não teve nenhum caso, repetindo o resultado de 2023. No entanto, foram contabilizados quatro suicídios de agentes públicos no Estado.

No trânsito, MS contabilizou 347 mortes no último ano. Também houve 2.728 furtos e 315 roubos de veículos, resultando na segunda menor taxa nacional (16,01 por 100 mil habitantes), atrás apenas de Goiás (14,29). Não foram registrados roubos de cargas nem a instituições financeiras. Quanto ao número de desaparecidos, o índice continuou baixo, com 391 notificações.

Já no combate ao tráfico de drogas, o Estado se consolidou como a principal rota de apreensões do país, responsável por 92,93% das ocorrências da região Centro-Oeste e por 41,04% do total nacional. Foram apreendidos 579.419 quilos de maconha — a maior quantidade entre todas as unidades federativas. O Paraná ficou em segundo lugar (482.868 kg), seguido por São Paulo (147.868 kg).*Com informações do Campo Grande News. 

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