Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
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Dia mundial das Áreas Úmidas é lembrete para proteger o nosso futuro comum

04 fev 2025 - 06h10   atualizado em 03/03/2026 às 09h31

Gesiane S. Lourenço

Dia mundial das Áreas Úmidas é lembrete para proteger o nosso futuro comum O Pantanal abriga mais de 4.700 espécies de animais e plantas. (Foto: Daniel Kantek/Ecoa Pantanal)
Artigo escrito por Rafaela Nicola, Diretora Executiva, Wetlands International Brasil. Foto: Divulgação 

O Dia Mundial das Áreas Úmidas, celebrado no domingo, 02 de fevereiro, serve como um poderoso lembrete do papel crucial desse ecossistema na manutenção da vida. As áreas úmidas são muito mais do que apenas paisagens alagadas; elas são paraísos de biodiversidadereguladores climáticos centrais para a segurança hídrica. No entanto, elas continuam a ser mal compreendidas, subvalorizadas e subprotegidas. Com 35% de perda global desde 1970, as áreas úmidas são nosso ecossistema mais ameaçado, desaparecendo três vezes mais rápido do que as florestas. 

Em 2025, a Wetlands International destaca o Pantanal. Essa vasta planície aluvial, está localizada na bacia do Alto Paraguai e é profundamente influenciada pelos rios que cruzam esta região. É a maior área úmida tropical do mundo, um exemplo vivo tanto de riqueza ecológica quanto de vulnerabilidade. Estende-se pelo Brasil, Bolívia e Paraguai, com 70% de seu território localizado no Brasil. Depende de três dos biomas mais importantes do Brasil: a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica para recursos como água, fluxo de sedimentos e nutrientes. Além disso, é influenciado pelo bioma Chaco, que cobre partes do Pantanal no norte do Paraguai e leste da Bolívia. 

O Pantanal abriga mais de 4.700 espécies de animais e plantas, incluindo grandes populações de espécies ameaçadas, como onças, tuiuiús e araras-azuis. Mais importante, ele fornece locais essenciais para formação de ninhos e alimentação para aves migratórias e peixes. 

Como todas as áreas úmidas do mundo, o Pantanal fornece serviços ecossistêmicos importantes, como sequestro de carbono, regulação e purificação da água. Além disso, sustenta atividades econômicas para populações locais, desde a pecuária até o turismo. 

Infelizmente, o Pantanal enfrenta ameaças crescentes como desmatamento, incêndios descontrolados e mudanças climáticas. Práticas agrícolas insustentáveis em larga escala, principalmente em áreas de planalto, envolvendo uso de agroquímicos e irrigação nas terras baixas, atividades de dragagem ao longo dos rios e a introdução de espécies exóticas para pastagem, têm degradado ainda mais a região. 

Essas atividades reduziram severamente a resiliência da região às ameaças naturais. Em 2020, os incêndios destruíram mais de 30% da área total do bioma. Em 2024, até agosto, 1,3 milhão de hectares de áreas úmidas vitais do Pantanal queimaram em incêndios florestais. As árvores carbonizadas e os restos de animais são uma representação visual dos efeitos sentidos profundamente pelas comunidades indígenas. 

Esses desafios ressaltam a necessidade urgente de medidas protetivas mais fortes e da adaptação de práticas econômicas às realidades de um clima em transformação. Alcançar isso requer metas de gestão integradas, exigindo responsabilidade global e apoio em projetos de campo. É fundamental promover práticas produtivas que alinhem o conhecimento tradicional com a expertise técnico-científica, juntamente com a introdução de tecnologias e práticas sociais inclusivas já adaptadas às cheias e secas sazonais da região. Essas práticas devem respeitar a dinâmica da paisagem, preservar a sociobiodiversidade da região e proteger seu rico patrimônio natural. A escuta ativa e o amplo engajamento, tanto das comunidades locais quanto globais, são fundamentais para encontrar soluções sustentáveis focadas no bem-estar, qualidade de vida e na promoção da harmonia entre natureza e sociedade. 

Na Wetlands International, trabalhamos na restauração e proteção do Pantanal por meio do Programa Corredor Azul. Junto com parceiros, lançamos uma ferramenta abrangente, o SIFAU – Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas, implementamos um sistema de alerta precoce de incêndios, apoiamos brigadistas locais com equipamentos e treinamento e trabalhamos com comunidades para melhorar o manejo de viveiros e áreas reflorestadas. 

Também somos um parceiro central do Freshwater Challenge, uma iniciativa global para acelerar a restauração de rios e áreas úmidas degradados e proteger ecossistemas de água doce ainda intactos. Recebemos com entusiasmo a adesão do Brasil ao Freshwater Challenge, destacando a importância de reunir diversos atores para colaborar e criar sinergias entre convenções para proteger o futuro desses preciosos ecossistemas. 

Ainda este ano, o Brasil receberá líderes mundiais no poderoso sistema do Rio Amazonas, como anfitrião da COP30 da UNFCCC que acontece em Belém. Este será um momento-chave para governos, empresas e financiadores reconhecerem a vulnerabilidade das áreas úmidas frente à crise climática e as priorizarem em compromissos, ações e investimentos voltados à mitigação e adaptação climática. 

Na preparação para a COP30 climática, a Convenção sobre Áreas Úmidas COP15 será um marco crítico para destacar as áreas úmidas como soluções climáticas. Organizada pelo Zimbábue no final de julho, governos e outras partes interessadas podem fortalecer compromissos, adotar políticas transformadoras e mobilizar financiamento para a conservação e restauração de áreas úmidas. 

O Dia Mundial das Áreas Úmidas é mais do que uma celebração; é um chamado à ação — um apelo para que os líderes priorizem a saúde das áreas úmidas para a preservação da biodiversidade, mitigação climática e segurança hídrica. É um chamado para proteger as áreas úmidas para o nosso futuro comum. A hora de agir é agora. 

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