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HQ Nacional: Artistas destacam temas regionais de MS em quadrinhos

30 jan 2025 - 10h55   atualizado em 03/03/2026 às 09h31

Gesiane Sousa

HQ Nacional: Artistas destacam temas regionais de MS em quadrinhos Hoje é o Dia das Histórias em Quadrinhos. A data foi escolhida em referência à publicação da primeira HQ nacional, As Aventuras de Nhô-Quim, em 1869. (Foto: Setesc)

O dia 30 de janeiro é dedicado à celebração das histórias em quadrinhos brasileiras. A escolha da data se deve à publicação da primeira HQ nacional, As Aventuras de Nhô-Quim, em 1869. Criada pelo cartunista Angelo Agostini, a obra narra a saga de um jovem caipira que visita a Corte do Rio de Janeiro. Em 1984, a Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) oficializou a comemoração, consolidando o reconhecimento do quadrinho nacional.

Nataniel Gomes, professor da UEMS e líder do Núcleo de Pesquisa em Quadrinhos (NuPeQ), esclarece a importância da data. “Dia 30 de janeiro é o Dia dos Quadrinhos Brasileiros, e há confusão com relação a isso, porque muitos confundem com o Dia Nacional dos Quadrinhos. A AQC-ESP realizou uma pesquisa na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e verificou que o Brasil é pioneiro na publicação de quadrinhos. Angelo Agostini, um ítalo-brasileiro, começou a publicar em 1867 em um jornal de São Paulo e, posteriormente, no Vida Fluminense, no Rio de Janeiro. Defendo, em artigo publicado por uma revista da USP, que Agostini foi o primeiro quadrinista do mundo, antecedendo os quadrinhos estadunidenses, que tinham maior circulação. Em 1985, a AQC-ESP oficializou o Dia do Quadrinho Nacional com base na data de 30 de janeiro de 1869”.

A relação de Nataniel com os quadrinhos vem da infância, quando se encantou pelas histórias de super-heróis. “Comecei como leitor voraz na década de 1980 e isso trouxe vantagens, como o acesso a referências literárias que me levaram a buscar as obras originais. Com o tempo, percebi que os quadrinhos são uma arte própria, como o cinema, teatro e literatura. Pesquiso a área cientificamente há 20 anos, e desde 2012 atuo em Mato Grosso do Sul”, explica.

Segundo o pesquisador, os quadrinhos em Mato Grosso do Sul estão em crescimento. “Há artistas locais produzindo HQs com temáticas regionais e universais, conquistando visibilidade e prêmios. Nosso grupo de pesquisa, liderado por mim e pelo professor Daniel Abrão, é referência nacional, promovendo eventos que reúnem pesquisadores de todo o Brasil”.

Quadrinista Olímpio Leme destaca importância das HQs para contar a história e a cultura de MS. Foto: Setesc

Um dos artistas que se destacam no estado é Olímpio Leme, que recentemente teve um projeto aprovado pelo Fundo de Investimentos Culturais. Sua obra Garcia, Luta, Fé e Justiça retrata o personagem histórico Garcia Sete Orelhas. Bancário e quadrinista, Olímpio desenha desde os dois anos de idade e sempre teve contato com HQs. “Meu pai, arquiteto, me presenteava com revistas da Turma da Mônica, livros dos Irmãos Grimm e literatura clássica. Aprendi a ler aos cinco anos e, ao longo do tempo, me apaixonei por quadrinhos da DC Comics. O impacto da linguagem visual e narrativa sempre me fascinou”, conta.

Olímpio é adepto da arte em preto e branco e busca inspiração na família. “Estudo e aprimoro minha técnica como autodidata. Sou formado em Economia e trabalho em banco, mas nunca deixei a arte. A técnica de nanquim, com jogos de luz e sombra, me encanta. Lembro dos meus pais quando desenho, pois foram eles que estimularam meu interesse pela arte”.

Sua trajetória no mundo dos quadrinhos começou há dez anos, quando foi convidado pelo artista Alexandre Leone para colaborar em um fanzine. “No início, desenhava em folhas sulfite e usava nanquim. Depois, participei do coletivo Bigorna Ilustrada e sempre quis contar minha própria história. Consumo quadrinhos há 44 anos e queria retratar algo ligado à minha família e ao Mato Grosso do Sul. Quando surgiu a oportunidade, investi na história de Garcia, um personagem que meu pai me contava na infância. Assim, reuni uma equipe para concretizar esse sonho”.

Olímpio deseja usar os quadrinhos para contar as histórias de Mato Grosso do Sul. “Nosso estado tem uma história rica, mas pouco divulgada. Quero coletar narrativas de famílias, destacar a amizade e a união dos pioneiros que ajudaram a construir nossa região. As HQs têm um papel fundamental para valorizar nossa cultura, promover reconhecimento e nos unir enquanto povo. Quero levar essas histórias para fora do estado e cruzar fronteiras, mostrando que Mato Grosso do Sul é formado por um povo forte, resiliente e unido, levando uma mensagem de esperança, alegria e identidade”.

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