Fernando Rufino, o "Cowboy de Aço", carrega no peito a determinação de quem já fez história no esporte.
(Foto: Miriam Jeske/CPB)
Maior evento paradesportivo do planeta, os Jogos Paralímpicos começam em Paris, na França, no dia 28 de agosto e se estenderão até 8 de setembro. Contemplados pelo Bolsa Atleta, programa do Governo de Mato Grosso do Sul coordenado pela Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer) e Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), dois atletas sul-mato-grossenses são favoritos ao pódio: Fernando Rufino, da paracanoagem, e Yeltsin Jacques, do atletismo. Ambos os atletas conquistaram medalhas e bateram recordes na última edição dos Jogos, a Tóquio-2020.
Fernando Rufino de Paulo, popularmente conhecido como “Cowboy de Aço”, representará Mato Grosso do Sul na canoagem paralímpica. Natural de Eldorado, Rufino tem se destacado em competições internacionais, incluindo a recente conquista do ouro na categoria VL2M200m no Mundial de Paracanoagem, o que o torna uma das grandes promessas para Paris.
O “Cowboy de Aço” tem uma história de superação inspiradora. Seu sonho inicial de ser peão de rodeio foi interrompido por um acidente que o deixou paraplégico. No entanto, ele encontrou no esporte uma nova paixão e uma oportunidade de realizar novos sonhos. “O esporte mudou minha vida de uma forma maravilhosa e completa. Sou uma pessoa realizada, com uma carreira de sucesso, e o legado que quero deixar é que, mesmo vindo de uma pequena cidade do interior e tendo meu sonho interrompido, o esporte me deu a oportunidade de sustentar minha família e construir uma vida estável.”
Yeltsin Jacques, recordista mundial, vai disputar nas provas de 1.500 e 5.000 metros nas Paralimpíadas de Paris 2024. Foto: Miriam Jeske/CPBYeltsin Francisco Ortega Jacques, de 33 anos, natural de Campo Grande, é outro nome de peso nas Paralimpíadas de Paris. Convocado para disputar as provas de 1.500 e 5.000 metros na classe T11, destinada a atletas cegos, Yeltsin é o atual campeão mundial dos 5.000 metros e recordista mundial nas duas provas. Ele entra como um dos favoritos para conquistar medalhas, depois de sua impressionante performance em Tóquio-2020, onde levou o ouro em ambas as categorias, além de estabelecer o recorde mundial.
O programa Bolsa Atleta foi um fator decisivo para o retorno de Yeltsin ao Mato Grosso do Sul. “Com o apoio financeiro e a inauguração da pista de atletismo, já treinando em Campo Grande, conquistamos resultados espetaculares em Tóquio”, destaca o atleta, que, em 2024, quebrou o recorde mundial em Kobe, no Japão.
Yeltsin chegou a se mudar para outro país em busca de melhores condições de treino, mas retornou a Campo Grande assim que a infraestrutura esportiva melhorou. “Morei e treinei fora por um tempo, mas depois, com a infraestrutura disponível em Campo Grande, pude voltar para perto da minha família. Foi difícil ficar longe dos meus pais, mas era um sacrifício necessário para melhorar meu desempenho e alcançar resultados".Yeltsin também reflete sobre a importância do esporte paralímpico para a inclusão de pessoas com deficiência. “Já ouvi muitas histórias de pessoas com deficiência que se limitavam, achando-se incapazes até de sair de casa. Hoje, ao verem o esporte paralímpico na TV, dizem: ‘Um dia, quero ser como ele’".
Talitha Silva (ao centro) atua como técnica há quase 20 anos. Foto: DivulgaçãoAlém dos atletas, a professora de judô Anne Talitha Silva também foi convocada para representar o Brasil nas Paralimpíadas como auxiliar-técnica. Com uma trajetória dedicada ao treinamento de atletas paralímpicos desde 2006, a profissional é contemplada pelo programa Bolsa Técnico do Governo do Estado e traz sua vasta experiência para a equipe brasileira, contribuindo para o sucesso do esporte paralímpico nacional. Na capital francesa, a técnica comandará duas atletas sul-mato-grossenses nos tatames: Kelly Victório e Erika Cheres.
"Para mim, foi uma grande surpresa e uma enorme felicidade ser convocada. Trabalho com o esporte paralímpico há bastante tempo, especialmente com o judô. É uma realização profissional estar indo para as Paralimpíadas”, afirma a técnica.
Confira as competições
Yeltsin Jacques
- 30 de agosto (sexta-feira): 5.000 metros – 04:05 (horário de MS)
- 1º de setembro (domingo): semifinal dos 1.500 metros – 04:12 (horário de MS)
- 2 de setembro (segunda-feira): final dos 1.500m – 04:08 (horário de MS)
Fernando Rufino
- 6 de setembro (sexta-feira): Prova de Paracanoagem – 06:15 (horário de MS)
- 7 de setembro (sábado): Prova de Paracanoagem – 07:15 (horário de MS)
- 8 de setembro (domingo): Prova de Paracanoagem – 07:15 (horário de MS)
Kelly Victório
- 6 de setembro (sexta-feira): luta preliminar, categoria até 70 kg, classe J2 - 04:00 (horário de MS)
Erika Cheres
- 7 de setembro (sábado): luta preliminar, categoria acima de 70 kg, classe J1 - 03:30 (horário de MS)
*Com informações da Comunicação Setesc
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