Em dias de altas temperaturas, a ingestão de muita água é essencial para manter a saúde em dia.
(Foto: Correio do Estado)
O inverno se despediu, nesta sexta-feira (22), com novo recorde de temperatura para o ano. A estação foi marcada por recordes de temperatura, e a primavera, que começou nesta madrugada deve manter os termômetros acima do normal.
A primavera no Hemisfério Sul começou oficialmente às 2h50min deste sábado (23), horário de MS. A estação é marcada pelo aumento da temperatura e das chuvas, já que é um período de transição entre o inverno, período seco, e o verão, época de chuvas.
Já o inverno, que deveria ser de temperaturas mais baixas,registrou termômetros acima de 40°C em Mato Grosso do Sul, apesar de terem ocorrido alguns dias de frente fria. Em setembro, no fim da estação, várias cidades registraram recordes de temperatura. A estação terminou com o dia mais quente do ano em diversas cidades do Estado.
A maior temperatura já registrada neste ano, até sexta-feira (22), foi a de Porto Murtinho, onde os termômetros chegaram a 41,5°C. Água Clara, que já havia registrado recorde do Estado no dia 17 deste mês, quando chegou a 40,6°C, na sexta-feira alcançou 41,2°C. Em Corumbá, o calor atingiu 41°C.
A Capital também vinha mantendo a tendência de altas temperaturas e, no dia 20, registrou 36°C, cujo recorde foi ultrapassado pelos 37,6°C desta sexta-feira. Outros municípios do Estado ficaram entre os mais quentes, entre eles, Coxim, com 40,8°C, Paranaíba e Três Lagoas, ambas com 40,4°C, e Bataguassu, com 40°C.
Primavera
O prognóstico do Cemtec aponta que as temperaturas no Estado devem ficar acima do normal e ultrapassar 40°C no próximo trimestre, que compreende os meses de outubro, novembro e dezembro.
As chuvas podem variar ligeiramente, de acordo com a região do Estado. Nas regiões sul, central, norte e nordeste, que compreendem cidades como Eldorado, Iguatemi, Corumbá e Sonora, as precipitações podem ficar um pouco acima da média, variando entre 500 mm e 700 mm.
Já na região noroeste, a previsão é de que as chuvas podem ficar ligeiramente abaixo da média, com variação de 300 mm a 400 mm. Em grande parte de MS, as chuvas vão variar entre 400 mm e 500 mm.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, do Inmet, para outubro são esperados 147,9 mm em Campo Grande, já em novembro devem ser registrados 206,5 mm, e dezembro, o mês mais chuvoso do ano, tem previsão de precipitação na casa dos 224,9 mm.
O Cemtec relata que a primavera é uma estação historicamente marcada por uma maior precipitação, com ocorrências de tempestades severas, que são geralmente rápidas, com chuvas intensas, fortes rajadas de vento e até mesmo queda de granizo.
Além desses fatores, que são geralmente notados na estação, em 2023, o fenômeno El Niño está em vigência no mundo e 100% em Mato Grosso do Sul, durante os três meses de primavera, seguindo até março de 2024, aponta o Cemtec. As principais características do El Niño são o aumento das chuvas e as temperaturas mais elevadas.
Com o calor extremo, umidade relativa do ar abaixo de 30%, rajadas de vento acima de 30 km/h e mais de 30 dias sem chuvas, o Cemtec aponta ainda que essas características deixam o ambiente atmosférico propício para a ocorrência de incêndios florestais.
A Defesa Civil Estadual também informa que as condições climáticas favorecem o aumento de queimadas descontroladas. “Muitas vezes, esses incidentes acontecem acidentalmente, quando a população ateia fogo no lixo doméstico ou na vegetação de um lote, para limpar o terreno”, aponta Renan Arruda, agente de Relações Públicas da Defesa Civil.
Renan alerta ainda que a população deve ter alguns cuidados essenciais para evitar queimadas, como não jogar bitucas de cigarro pela janela do veículo, não fumar em locais que têm vegetação densa, não deixar garrafas ou pedaços de vidro próximos a uma vegetação e evitar atear fogo em lixo e terrenos.
Saúde
Médica especialista em clínica médica da Unimed, Carolina Albuquerque Arroyo informa que a principal complicação para a saúde causada pelo forte calor é a desidratação. No entanto, insolação e problemas respiratórios e cardiovasculares também podem ser decorrentes das temperaturas elevadas.
A médica relata ainda que a desidratação pode evoluir para casos graves, em que é necessário internação hospitalar, e crianças e idosos costumam ser o principal grupo de risco, já que alguns casos de insolação podem levar a óbito.
Carolina Arroyo aponta que, em caso de desidratação, alguns sinais e sintomas devem gerar alerta para quadros mais graves, acarretando na necessidade de receber atendimento médico.
Nesse período de onda de calor extremo, as pessoas devem ficar atentas a quedas de pressão, à diminuição do volume urinário, à sensação de desmaio, à sonolência, à náusea, ao pulso rápido, à desorientação e à confusão mental.
Entretanto, há alguns cuidados indicados para os dias de temperatura elevada que ajudam a minimizar os efeitos do calor, entre eles, aumentar a ingestão de líquidos; evitar se expor ao sol entre as 10h e as 16h; evitar o consumo de bebidas alcoólicas e bebidas com açúcar; usar roupas leves e frescas; buscar refeições leves e com menos calorias; não praticar atividades físicas em locais de exposição ao sol, principalmente nos horários mais quentes do dia; e evitar locais fechados e com aglomeração de pessoas.
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