O escalpelamento é um acidente mais prevalente em comunidades ribeirinhas.
(Foto: Divulgação/MPT)
Márcia Cristina não imaginava que, em um dia qualquer de janeiro, um grave acidente mudaria sua vida para sempre. A bordo de uma embarcação, a caminho da casa de uma amiga, ela teve seu cabelo enroscado no eixo do motor e seu couro cabeludo arrancado. Vítima de escalpelamento, Márcia Cristina, 39 anos, vive ainda hoje as consequências deste acidente que deixa sequelas na vida de tantas mulheres. “Assim que sofri o acidente, fiquei oito dias sem ver, e oito dias sem falar”, recorda. Para Tomásia Malaquias, outra sobrevivente, o escalpelamento foi um fato muito triste, que trouxe enormes dificuldades. “Com meu trabalho, meu dia a dia, com minha família, com meu marido. Foi uma destruição na nossa vida”.
O escalpelamento é um acidente mais prevalente em comunidades ribeirinhas do Norte do país e que causa graves danos físicos, psicológicos e sociais a suas vítimas, sendo a reinserção no trabalho uma das formas de empoderamento dessas mulheres. Pensando nisso, o Ministério Público do Trabalho (MPT), enfatiza, neste Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento – 28 de agosto – a importância de se promover ações de conscientização e de inclusão. Nesta segunda-feira (28), a data é marcada pelo lançamento de uma História em Quadrinhos (HQ) que mostra, ludicamente, o que é este acidente, como ele ocorre e suas consequências. A revista, iniciativa do Grupo de Trabalho Escalpelamento por Embarcações do MPT, foi apresentada em cerimônia promovida da sede do MPT em Belém (PA).
Acesse aqui a HQ sobre escalpelamento
Coordenadora do GT, a procuradora do Trabalho Flávia Bauler explica que a revista tem o propósito de conscientização da população ribeirinha sobre os enormes riscos que correm ao utilizarem embarcações com eixos do motor sem proteção. “A HQ aborda as sequelas do acidente, de forma a fazer entender a importância da proteção, mas também traz a necessidade de acolher as vítimas. As imagens também buscam retratar a beleza da região amazônica, bem como a importância da atuação das instituições públicas no enfrentamento a este problema”, esclarece a procuradora e coordenadora nacional de Trabalho Portuário e Aquaviário (Conatpa) do MPT.
A vice-coordenadora do GT, Ana Maria Vila Real, enfatiza que a disseminação da informação é uma questão estrutural na prevenção e erradicação do escalpelamento. “O tema foi tratado de forma mais lúdica e atrativa justamente para chegar nas escolas das regiões com maior incidência do fenômeno. O desafio é estabelecer parcerias com diversas outras instituições, a fim de que a HQ efetivamente chegue nas localidades do país em que a locomoção por barcos seja central na vida das comunidades. O escalpelamento é uma tragédia que pode ser evitada quando há informação e mobilização de toda a sociedade”, declara a procuradora, que também é coordenadora nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do MPT.
Além da revista, o MPT preparou também dois spots de rádio para divulgação em mais de 2 mil rádios do país, com foco em veículos comunitários da Amazônia. A procuradora do Trabalho e integrante do GT Tatiana Amormino enfatiza a importância dessa ação de comunicação para a conscientização das populações ribeirinhas. “Estamos falando de locais em que as pessoas têm acesso às informações prioritariamente por meio das rádios”, destaca a procuradora.
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