delegado
Delegadi diz que as investigações prosseguem. Foto: Sylma LimaO vereador Eurípedes Zaurízio de Jesus, (PTB), de 44 anos, preso em sua residência, na manhã desta terça-feira,24 de Janeiro, pela Polícia Federal vai permanecer dez dias na sede da delegacia, para conclusão do inquérito e após este prazo sobe para o presídio de Corumbá. Eurípedes foi eleito vereador em Ladário com fortes indícios de corrupção eleitoral como compra de votos e, até agiotagem usando da vulnerabilidade de famílias que possuem cartão de programas assistenciais do governo federal. Os crimes investigados são corrupção eleitoral ativa, falsidade ideológica eleitoral (“caixa dois”, usura pecuniária (“agiotagem”) e retenção de documentos de identificação. Somadas, as penas variam de dois a 11 anos de prisão.
Durante entrevista coletiva a imprensa nesta manhã o delegado Ricardo Rodrigues Gonçalves que coordena essa operação denominada “ anatocismo” (nome de origem grega que significa usura ou agiotagem) explicou que não se trata de condução coercitiva para dar explicações sobre as fraudes, mas de um mandado de prisão expedido pelo juiz eleitoral, baseado nas provas colhidas pela Polícia Federal, que ouviu muitas testemunhas envolvidas no caso. Além de Eurípedes também foi preso o comparsa do vereador, “ conversamos com eleitores desempregados do candidato que não souberam nem explicar de que forma trabalhavam para o Eurípedes sem remuneração, e também existem mensagens nos celulares de pessoas pedindo os documentos que ele segurava para dar entrada no INSS. A retenção destes documentos foi confirmada pelas pessoas ouvidas, o que implicou numa limitação dos direitos fundamentais dos tomadores de empréstimos” .
Vereador Eurípedes deve subir para o presídio dentro de dez dias. Foto: Reprodução Face BookEurípedes está custodiado na federal onde será ouvido encaminhado ao presídio. Ele será indiciado por corrupção eleitoral ativa e falsidade ideológica eleitoral, “ ele realizava empréstimos com juros de 30% ao mês e retinha o cartão social dos beneficiários” . O delegado explicou que as ações movidas nas eleições em Corumbá são de natureza civil e a de Ladário é criminal, “ ele aguarda decisão da justiça eleitoral para subir para o presídio. Temos muitas provas suficientes que indicam o ilícito, mas hoje ainda temos muitos documentos para avaliar. A denúncia deste crime só chegou na delegacia após as eleições” .
Entenda o caso
A Polícia Federal (PF) de Corumbá deflagra nesta terça-feira (24) a segunda fase da operação Anatocismus, que investiga a existência de crimes eleitorais ocorridos nas últimas eleições municipais de vereador na cidade de Ladário (MS). Na madrugada desta terça-feira,24, cerca de 15 policiais federais realizam diligências de busca em domicílios, onde fizeram duas conduções coercitivas e duas prisões preventivas, uma delas em desfavor ao vereador eleito, Euripedes Zaurizio de Jesus , PTB.
A investigação iniciou há três meses, quando o órgão recebeu denúncia, que posteriormente foi complementada por diversas diligências, inclusive uma execução de busca na casa do na época candidato e atualmente vereador. Na ocasião, foram apreendidos documentos de identificação, cartões do programa Bolsa Família e contas de água e luz em nome de terceiros.
O aprofundamento das investigações apontou o que envolvimento dos indiciados nos crimes de corrupção eleitoral ativa e falsidade ideológica eleitoral (“caixa dois”), bem como nas infrações de usura pecuniária (“agiotagem”) e retenção de documentos.
“Caixa Dois”
As investigações apontam que o no momento, candidato a vereador em Ladário, teria comprado votos com valores que iriam de R$ 100 a R$ 200. Há suspeita de que o dinheiro utilizado para o pagamento desses valores tenha sidos obtidos através da prática de crime conhecido popularmente como “agiotagem”. Em determinados casos, a apuração de informações indica que eleitores podem ter obtido o “perdão” de dívidas em troca de votos.
As vítimas são em grande maioria pertencentes a grupo de vulnerabilidade econômica e social, baixa renda. Quando eram beneficiários do programa Bolsa Família, o candidato apreendia o cartão magnético do programa e a respectiva senha para efetuar os saques e cobrir os juros devidos pelos tomadores dos empréstimos, que eram contraídos com juros mensais na ordem de 30%.
Para a Polícia Federal, o indiciado desvirtuou a finalidade do programa Bolsa Família, que indiretamente teria financiado a compra de votos e realizou a prática conhecida como “caixa dois”, sonegando e inserindo informações falsas na prestação de contas de campanha.
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