Domingo, 10 de Maio de 2026
Entrelinhas Sylma

Guerra das pesquisas

09 set 2022 - 14h32   atualizado em 03/03/2026 às 09h59

Sylma Lima

Guerra das pesquisas boa

Faltando menos de um mês para eleição de 2022, proliferam pesquisas eleitorais de institutos de pesquisas desconhecidos e que surgem do nada com números bem questionáveis e estranhos. Aliás, manipular número e dados no contexto eleitoral não é novidade. É a tentativa de manipular a vontade do eleitor com a antiga ideia do “efeito manada”, já que pensam os marqueteiros das campanhas que há um tipo de eleitor que “não quer perder o voto”, ou seja, que vota em quem está na frente nas pesquisas. Estratégias e táticas eleitorais e, claro, com indícios e fraudes nas tais pesquisas aparentemente sem lastro científico na coleta dos dados.

E OS GOLPES NÃO PARAM

Chega uma mensagem no aparelho celular com informação de que foi feito um pix na sua conta bancária e que você deve ligar no número 0800… para confirmar a transação ou cancelar. Assustado, a pessoa liga no tal número e adivinha? É GOLPE. Do outro lado da linha há um aparato profissional de golpistas de atendentes que simulam exatamente o funcionário do banco, e aí que mora o perigo. Na era da internet, redes sociais, e aplicativo de celulares, Pix, contas digitais, etc., os estelionatários de quadrilhas de bandidos estão saindo das ruas dos assaltos para o anonimato do submundo da internet, deep web, do submundo do crime. A Polícia de MS deveria criar uma Delegacia Especializada de Combate aos Crimes Digitais, e monitorar todo tipo de golpe na praça, inclusive com integração a todas as Polícias do Brasil, já que este tipo de crime não tem fronteira e eles agem às escondidas no universo da rede mundial de computadores. É a nova criminalidade urbana.

INSEGURANÇA ELEITORAL

A Justiça eleitoral no Brasil é exemplo de eficiência na apuração dos votos e usa a urna eletrônica há muito tempo. Apesar das críticas, é o modelo consagrado no Brasil. Questionamento sempre vão existir. Na época da cédula eleitoral havia muitas denúncias de fraudes e era bem pior do que é atualmente. Agora no tocante a definição de deferimento ou indeferimento das candidaturas, há uma insegurança eleitoral muito grande. Os prazos são curtos e candidaturas são indeferidas pelo juiz eleitoral, que depois é deferido pela instância superior (TRE, TSE, STF), onde o eleitor fica sem saber ao certo se seu voto foi válido ou não. Nas últimas eleições teve candidato com grande número de votos que foram anuladas pela Justiça Eleitoral. É uma insegurança eleitoral em pleno vigor.

OPERAÇÃO ABAFA

Após grande repercussão por conta de destempero emocional e até tiros em plena avenida Mato Grosso, centro da Capital, logo veio notícia de que tudo seria apurado em procedimento administrativo disciplinar pelo órgão. Passados meses após os fatos, nada se fala e nada se divulga sobre o resultado da apuração. Órgão agora tem novato no comando com boa amizade com o governador e políticos, faltando somente um item essencial para o cargo: experiência. Só lambança e insatisfação e indícios de uso político de investigação policial correndo em sigilo, mas toda hora a imprensa divulga algo sobre o caso.

FANATISMO POLÍTICO

Há um campo das convicções, modo de vida, mimetismo social e patologias sociais, correlações imanentes dos arquétipos da pessoa na sociedade, etc. Cazuza já falava em “Ideologia… eu quero uma pra viver”.  É bem provável que o fanatismo político tenha relação com as fraquezas humanas e necessidade biológica de fazer parte de um grupo, alimentar egos perdidos, ou mesmo erros cognitivos de avaliação, escolha racional para diminuir resistência de próximos, interesses inconscientes e sobrevivência na selva. Sobre o tema, há boa literatura para melhor compreensão destes disparos emocionais na mente grupal, como de José Ortega Y Gasset (A rebelião das massas), Psicologia das Multidões (Gustave Le Bon), Gabriel Tarde (A opinião e as massas) e Serguei Thackhotine (A violação das massas pela propaganda política). Difícil no fanatismo político é a parte autoritária e artefatos impositivos da personalidade que quer impor ideias e votos para outros que discordam.  Lidar como fanático político não é fácil, mas é preciso compreender que ali reside complicadas engrenagens de comportamento. Paciência com eles, pois são amigos e parentes.

 

 

 

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