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Em uma demonstração rara de vontade política, a Câmara dos Deputados examinou e aprovou, em apenas alguns dias, o pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. Muitos parlamentares – a maioria investigada na Operação Lava Jato, inclusive o presidente da casa, Eduardo Cunha, apontado como réu pelo Supremo Tribunal Federal – afirmou estar votando pelo afastamento de Dilma em nome de suas esposas, filhos, netos, bisnetos, amigos e animais de estimação, e em respeito ao “clamor das ruas”. Foi um espetáculo no mínimo bizarro não só pela cara de pau de muitos, atolados até o pescoço em denúncias de corrupção, mas também pela avalanche de erros de português pronunciados pelos nobres deputados ao microfone na hora do voto, que demonstra o baixíssimo nível intelectual daqueles que representam a população em Brasília. Mas isso não é culpa só deles , mas também do povo que os elegeu.
Virada a página do impeachment – pelo que se ouve nos bastidores de Brasília, é praticamente impossível o Senado não acompanhar a Câmara na decisão de afastar a presidente – ficam no ar várias perguntas : terá o vice, Michel Temer, condições reais de governar ? Eduardo Cunha permanecerá na presidência da Câmara e não será punido pelos crimes que cometeu ? Os movimentos sociais como a CUT e o MST vão aceitar calados o afastamento de Dilma ?
Em Brasília já circulam propostas para a realização de eleições gerais no próximo mês de outubro, onde a população votaria para escolher não só prefeitos e vereadores, como já está previsto, mas também para eleger um novo presidente da república. A justificativa é de que Michel Temer não têm condições políticas nem morais para conduzir os destinos da nação, primeiro porque ele foi eleito junto com Dilma e também porque conspirou abertamente para afastar a presidente.
A proposta conta com a simpatia de setores do governo e da própria oposição. Resta saber como viabilizá-la do ponto de vista legal. Será necessária uma Proposta de Emenda Constitucional, que terá de ser aprovada por maioria absoluta na Câmara e no Senado. À primeira vista, muitos podem alegar que não existe tempo hábil para aprovar a PEC até outubro. Mas se a Câmara e o Senado tiverem a mesma vontade política demonstrada para afastar a presidente, nada é impossível.
Cabe ao povo brasileiro pressionar deputados e senadores nesse sentido. Se nada for feito, além de um sentimento enorme de frustração naqueles que foram para as ruas cobrar o combate à corrupção, ficará a certeza de que o Brasil não mudou.
Continuará sendo o país do conchavo, do jeitinho, do deixa como está para ver como é que fica. Um país que justifica os versos da canção “Vamo comer”, gravada por Caetano Veloso em 1988 : Quando é que em vez de rico ou polícia, de mendigo ou pivete, eu serei cidadão ? E quem vai equacionar as pressões do PT e da UDR e fazer dessa vergonha uma nação ?
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