Caminhão tanque da distribuidora Santa Izabel.
(Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado)
O reflexo da instabilidade no Oriente Médio, após a invasão do Irã pelos Estados Unidos, chegou com força ao campo em Mato Grosso do Sul. Em menos de duas semanas, o preço do óleo diesel saltou de R$ 7,50 nas distribuidoras. Nas fazendas, com os custos de logística, o litro já alcança os R$ 7,70, um aumento que asfixia a rentabilidade do produtor rural em plena safra.
Mais grave que a alta de preços, contudo, é a escassez do produto. O empresário Iris José Carloto, da distribuidora Santa Izabel, revela que o estoque está praticamente zerado. "Temos cerca de 60 mil litros, mas a demanda é de 200 mil por dia. Produtores estão cobrando entrega, mas não conseguimos o produto nas grandes companhias como Shell, Ipiranga ou Vibra", explica.
Risco de paralisação nas máquinas
A colheita da soja, que atingiu 63% da área plantada no Estado segundo a Aprosoja, só não parou totalmente devido ao tempo chuvoso. "Assim que o sol abrir, vai ter máquina parada por falta de diesel", alerta o representante comercial Osório Marion, que atua há 30 anos no setor em São Gabriel do Oeste e classifica a crise como inédita.
Enquanto os postos de combustíveis nas cidades e rodovias ainda mantêm estoques — priorizados pelas bandeiras —, o setor rural sofre com a proibição regulatória da ANP, que impede postos de entregarem nas fazendas. Isso tem forçado produtores a retomar a prática antiga de buscar combustível em tambores nas cidades.
Suspeita de retenção e reação da soja
Há indícios de que o desabastecimento pode estar sendo agravado por retenção de estoque. "Suspeitamos que grandes distribuidoras estejam escondendo o produto para forçar novas altas", opina Marion. A crise atinge os principais centros de distribuição nacionais, como Paulínia (SP) e Araucária (PR).
No mercado financeiro, a instabilidade global e a alta do dólar causaram uma leve reação no preço da soja em MS, que subiu de R$ 112,00 a saca. No entanto, o ganho corre o risco de ser anulado pelo aumento explosivo nos custos de produção e frete. *Com ifnormações do Correio do Estado
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