Exposição no Memorial Homem Pantaneiro.
(Foto: Divulgação/IHP)
O Memorial do Homem Pantaneiro, programa mantido pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) em Corumbá, será o único ponto de exibição do Pantanal de Mato Grosso do Sul a receber a etapa de difusão da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos.
A programação gratuita começa na sexta-feira, 12 de junho, integrando uma rede nacional de exibição pública que busca democratizar o acesso à cultura e fomentar debates sobre a cidadania, dignidade humana e a preservação da memória no País. Todas as sessões oferecem recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição. O Memorial fica na Ladeira José Bonifácio, 161, Porto Geral, Corumbá. Escolas de Corumbá e Ladário ou grupos podem também fazer agendamento para participar da exibição e o contato para solicitar agenda é pelo Whatsapp (67) 4042-5424.
Promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a mostra nacional alcançou mais de 1,1 mil pontos de exibição credenciados em todo o território nacional nesta edição. A iniciativa visa descentralizar as produções cinematográficas brasileiras, levando curadorias temáticas para além das capitais, alcançando espaços comunitários, universidades e centros culturais de fronteira, como é o caso de Corumbá, município conhecido como Capital do Pantanal.
Para o IHP, acolher a mostra reforça o papel do Memorial do Homem Pantaneiro como centro de cultura e ponto de memória não apenas da história e identidade local, mas também de discussões globais sobre os direitos humanos e a relação das populações com seus territórios. O formato descentralizado permite que a comunidade pantaneira tenha acesso gratuito a obras premiadas e produções que pautam a sustentabilidade, a diversidade e o respeito cultural.
“Temos o Memorial do Homem Pantaneiro como esse espaço aberto para que as tradições, manifestações culturais estejam acessíveis para moradores de Corumbá, Ladário, nossos vizinhos bolivianos e turistas que procuram conhecer o Pantanal e chegam de várias partes do Brasil e do mundo”, destaca o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.
Homenagens e Temáticas da Curadoria
A seleção de filmes deste ano presta homenagens a grandes lideranças e defensores das causas sociais e ambientais no Brasil. Entre os eixos temáticos divididos por finais de semana estão:
- Sessão Nego Bispo – Terra: Dedicada ao pensamento do filósofo, escritor e ativista quilombola Antônio Bispo dos Santos, com produções que discutem o direito à terra, ancestralidade e as formas tradicionais de convivência com a natureza.
- Sessão Antônia Melo – Água: Homenageia a ativista que liderou movimentos históricos contra os impactos socioambientais na Amazônia, pautando o acesso à água limpa e os direitos das populações ribeirinhas e indígenas.
- Sessão Raoni – Floresta: Destaca a trajetória do Cacique Raoni Metuktire e a resistência dos povos originários pela demarcação e conservação das florestas tropicais e da biodiversidade brasileira.
Confira a programação completa em Corumbá:
Abaixo, os dias, horários e detalhes das exibições que acontecerão no Memorial do Homem Pantaneiro. A entrada é franca para todas as sessões.
| Data | Horário | Sessão Temática | Classificação | Detalhes |
| 12.06 (Sexta) | 17h30 | Sessão Nego Bispo – Terra | 14 anos | Duração: 50 min (2 filmes) |
| 13.06 (Sábado) | 09h00 | Sessão Nego Bispo – Terra | 14 anos | Duração: 50 min (2 filmes) |
| 14.06 (Domingo) | 09h00 | Sessão Infantil | Livre | Duração: 45 min (4 filmes) |
| 19.06 (Sexta) | 17h30 | Sessão Antônia Melo – Água | 12 anos | Duração: 60 min (4 filmes) |
| 20.06 (Sábado) | 09h00 | Sessão Antônia Melo – Água | 12 anos | Duração: 60 min (4 filmes) |
| 21.06 (Domingo) | 09h00 | Sessão Infantil | Livre | Duração: 45 min (4 filmes) |
| 26.06 (Sexta) | 17h30 | Sessão Raoni – Floresta | 12 anos | Duração: 58 min (3 filmes) |
| 27.06 (Sábado) | 09h00 | Sessão Raoni – Floresta | 12 anos | Duração: 58 min (3 filmes) |
| 28.06 (Domingo) | 09h00 | Sessão Infantil | Livre | Duração: 45 min (4 filmes) |
Sessão Negro Bispo
Eu sou Raiz (2022) – PE – Livre – Documentário
Direção: Cíntia Lima e Lílian de Alcântara
Sinopse: Mestra Mariinha é líder quilombola, e há mais de 40 anos luta à beira do rio São Francisco para preservar a cultura e a natureza de seu território. Ela se dedica aos saberes das ervas medicinais, é benzedeira e Mestra do Reisado do Quilombo da Mata de São José.
Ainda Há Moradores Aqui (2025) – AL – 12 anos – Documentário
Direção: Tiago Rodrigues
Sinopse: Em meio a bairros fantasmas, o documentário expõe as marcas do desastre industrial causado pela mineradora Braskem em Maceió (AL). Ainda Há Moradores Aqui dá rosto e voz para preservar a memória das pessoas que resistem e lutam por justiça e reparação.
Pau D´Arco (2025) – PA – Documentário
Direção: Ana Aranha
Sinopse: Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, acontecimentos chocantes indicam uma possível tentativa de encobrir o crime.
Sessão Antônia Melo
A Sessão homenageia Antônia Melo, liderança histórica do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, criado em oposição aos impactos da Hidrelétrica de Belo Monte. A sessão amplia o debate sobre justiça ambiental, memória e os modos de vida ameaçados por grandes empreendimentos e processos de devastação dos territórios, com filmes que atravessam rios, enchentes, ancestralidade e resistência coletiva.
Kutala (2025) – MG – 12 anos – Documentário
Direção: Fabio Martins e Quilombo Manzo
Sinopse: “As brincadeiras de crianças de terreiro do Kilombu Manzo, na observância dos mais velhos, transmitem o saber ancestral à geração neta, no tempo em que passado, presente e futuro se entrelaçam. O Eduka Kilombu reafirma nossa matriarca, mostrando que o saber quilombola está plantado nas matas e corre livre nos caminhos das águas, de onde extraímos o mais importante sagrado: Ota — pedra sagrada Ao fundo, a narrativa da matriarca constrói um tempo espiralar, que nos faz confundir a interpretação do ontem no tempo do hoje.”
Cerrado, Coração das Águas: Conexão Caatinga (2025) – GO/TO/DF/MT – Livre – Documentário
Direção: Fellipe Abreu e Luis Felipe Silva
Sinopse: A série Cerrado: Coração das Águas transporta o espectador por uma viagem pelas águas que ligam o Cerrado à Amazônia, à Caatinga e ao Pantanal, desde a nascente até o encontro com grandes rios. A partir dos relatos de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais, destacam-se as ameaças e a destruição do meio ambiente e dos modos de vida que protegem a natureza.
As Lavadeiras do Rio Acaraú transformam a embarcação em nave de condução (2021) – CE – Documentário/experimental
Direção: Kulumym-Açu
Sinopse: O fluxo das águas do Rio Acaraú, que atravessa a cidade de Sobral, no Ceará, conta uma história na qual o esfregar e o voar fazem parte do mesmo gesto coletivo.
Sessão Raoni (Floresta)
A Sessão presta homenagem a Raoni Metuktire, reconhecido internacionalmente por sua trajetória em defesa dos povos indígenas e da Amazônia, reunindo filmes que refletem sobre os impactos do agronegócio, da devastação ambiental e da contaminação dos territórios indígenas e camponeses, ao mesmo tempo em que reafirmam práticas coletivas de resistência e cuidado com a floresta.
Serviço
Evento: 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (Etapa Difusão)
Local: Memorial do Homem Pantaneiro (Ladeira José Bonifácio, 161 – Porto Geral, Corumbá – MS)
Período: De 12 a 28 de junho de 2026
Entrada: Gratuita
Sobre o IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
Fonte: Assessoria de Comunicação do IHP
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