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Corumbá pede socorro com invasão de haitianos

Por José Carlos Cataldi e Sylma Lima13 JUL 2018 - 19h07min
Bombeiros socorreram uma haitiana que ardia em febre desde esta quinta-feira,12. Fotos: Victor Viegas

Corumbá é invadida por mais de 1300 haitianos. Muitos ardendo em febre ou com mulheres grávidas. Situação de saúde pública esbarra na burocracia e na legalidade para o ingresso formal dos estrangeiros no território nacional. A Polícia Federal só atende a dez casos por dia.

Grupo está alocado na acanhada rodoviária da Cidade que tem um único hospital geral, a Beneficência Corumbaense, criada na época da 'Coluna Prestes'. Unidade não dá conta da demanda normal à população de Corumbá, Ladário e Bolivianos de Fronteira mais, agora, os migrantes haitianos que chegaram do nada. Falta linha para suturar feridos. Isso em época da expansão do sarampo e paralisia infantil.

Corumbá está vivendo o caos. Padre Marcos (da pastoral da imigração)  é incansável na tentativa de albergar prioritariamente quem tem crianças, mas nos abrigos não há mais vagas. Na rodoviária, onde estão precariamente alojadas, famílias contam com apenas um banheiro. Haitianos, sem dinheiro, estão passando fome, sede e frio.

Haitiana ardendo em febre no chão da rodoviária. Foto: Victor Viegas

Autoridades municipais cobram alternativas dos governos do Estado e União. A OAB estadual enviou o advogado Helton Nasser, presidindo comissão especial para mobilizar atenções a Corumbá. Já acionou o deputado Fábio Trad e toda bancada federal para ativar o Itamaraty. Temor é que na situação desesperadora, alguns migrantes se espalhem na clandestinidade, enveredando inclusive para o tráfico para a sobrevivência.

Polêmica entre o legal e o humanitário

O Brasil se tornou referência de ‘sonho de sucesso’ para os haitianos, por conta da presença do Exército Brasileiro por 13 anos no Haití, superando até efeitos de terremotos. Mas, para ter acesso garantido no território nacional, após vencer quilômetros de fronteiras, os imigrantes precisam cumprir formalidades, como possuir passaporte e documentos de nascimento e ou casamento referendados pelo Consulado Haitiano no Brasil, localizado em Brasília.

Em 2015, o Governo Federal deferiu visto humanitário para haitianos, provocado pela situação vivida em São Paulo, principal foco de atração. Como muitos tinham dificuldades em legalizar a documentação, inclusive viajar a Brasília e pela falta de condições do consulado haitiano em atender a grande demanda, o Grupo de Trabalho de Migrações e Refúgio, após várias ponderações desacolhidas, ajuizou Ação Civil Pública obtendo liminar para que os haitianos recebam o mesmo tratamento dispensado aos refugiados, para obter o visto humanitário, e para terem reconhecido o registro de permanência, mediante apresentação de certidão de nascimento ou casamento, com tradução juramentada, independentemente da legalização por autoridade consular do Haiti. Mesmo assim, as dificuldades de atendimento a 1300 pessoas a um só tempo, como agora em Corumbá, está tornando difícil demais o atendimento pela Polícia Federal que já atua com quadro precário, na Capital do Pantanal.

Luiz Jivago (esquerda) e Helton Nasser da OAB chegaram hoje em Corumbá e querem solução urgente. Fotos: Victor Viegas

Intervenção

O presidente da comissão interventora da OAB de Campo Grande Helton Nasser fez questão de enfatizar a solidariedade do povo corumbaense, que não tem medido esforços para ajudar minimizar o sofrimento dos haitianos. Nasser chegou nesta tarde de sexta-feira,13, em Corumbá acompanhado do secretário da Ordem Luiz Jivago Carriel na missão de unir-se com sub seccional de Corumbá para decidir, em caráter de emergência , a solução para o problema antes que saia do controle das autoridades locais, “ nesse aspecto a imprensa tem papel importantíssimo, não somente de divulgar o que vem acontecendo , como também buscar apoio de todos ” .

A reportagem do Capital do Pantanal foi ouvir e ver de perto a situação. Foto: Victor Viegas

 

 

 

 

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