Polícia

Ônibus com 744 quilos de cocaína tinha câmera e antena Starlink

23 FEV 2026 • POR Danielly Carvalho • 17h59
Equipamentos de monitoramento e marca "Bratva" reforçam suspeita de esquema internacional. - Foto: Divulgação

Um ônibus interceptado pela Polícia Federal transportava 744 quilos de cocaína escondidos em compartimentos adaptados e contava com sistema de monitoramento por câmera e antena de internet via satélite. O flagrante ocorreu na manhã de sexta-feira (20), em Campo Grande. O veículo havia saído de Corumbá com 30 passageiros bolivianos.

Ao analisar o caso, o juiz federal Luiz Augusto Fiorentini Iamassaki, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, apontou que a estrutura encontrada no ônibus indica atuação organizada. “Por fim, foram encontrados equipamentos de monitoramento (câmeras e uma antena do equipamento starlink), indicando uma sofisticação da empreitada típica da participação de organização criminosa de grande atuação”, afirma o magistrado.

Inicialmente, foi divulgado que o carregamento somava 745 quilos, mas o processo judicial registra 744 quilos da droga. Em um dos tabletes, aparece a inscrição "Bratva", que significa "irmandade" em russo e remete à máfia russa ou organizações mafiosas pré-soviéticas.

Na decisão, o magistrado também destacou a quantidade expressiva da droga, considerada de alto valor no mercado internacional, além da existência de compartimentos ocultos no veículo, estrutura que, segundo ele, sugere vínculo direto com grupo especializado no tráfico internacional. Outro ponto citado foram os chamados passageiros “fantasmas”, já que os bolivianos não souberam explicar o motivo da viagem nem quem teria pago as passagens.

“A aposição de marcas nas drogas, conforme descrito no laudo de exame preliminar, deixa clara a participação de organização criminosa no evento. Ademais, os custodiados transportavam vários cidadãos bolivianos, que não souberam explicar o porquê da viagem, tampouco quem a teria custeado, o que mostra o claro intuito de dissimular o transporte da droga, dando ares de uma inocente viagem de ônibus”.

Foram convertidas em prisões preventivas as detenções em flagrante de Anderson Vicente Batista e Eclyton Mycael Ferreira Lopes. “Os custodiados não apresentaram qualquer comprovação de que exerçam atividade lícita, havendo, portanto, fundado receio de reiteração delitiva, ante a presunção de que fazem, ou decidiram fazer do crime de tráfico de drogas seu meio de vida e de obtenção de renda”.

A Justiça determinou a incineração da cocaína e autorizou a quebra de sigilo telefônico dos investigados. No domingo (22), durante plantão, a desembargadora federal Mônica Nobre, do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), negou habeas corpus a Anderson.

A defesa alegou primariedade, residência fixa e atividade profissional, sustentando ausência de risco à ordem pública. A magistrada, no entanto, destacou o peso da apreensão. “Não se pode desconsiderar, nesse contexto, a expressiva quantidade de entorpecente apreendida, cerca de 744 kg de cocaína, volume que evidencia elevada capacidade de difusão no mercado ilícito e significativo potencial ofensivo à saúde pública. A magnitude da apreensão constitui dado objetivo apto a revelar maior gravidade concreta da conduta e a reforçar, em tese, a necessidade de resguardo da ordem pública”, aponta a desembargadora.

A reportagem não localizou as defesas dos demais citados até a publicação desta matéria.*Com informações do Campo Grande News.

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