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IA desenvolvida por mulheres indígenas une preservação histórica e desenvolvimento econômico

A IA Arandu atua como guardiã digital de conhecimentos milenares e ferramenta de comunicação para mulheres indígenas de todo o Brasil

31 JAN 2026 • POR Gesiane S. Lourenço • 11h47
Mato Grosso do Sul é um dos estados participantes do projeto. - Foto: Divulgação Recode

A ancestralidade e a inovação tecnológica se uniram na criação da Arandu, uma inteligência artificial (IA) desenvolvida e gerida exclusivamente por mulheres indígenas de diversas etnias do Brasil. O nome, que significa “sabedoria” em tupi-guarani, batiza a ferramenta que integra a plataforma Círculos Indígenas, funcionando como um acervo digital para a salvaguarda de saberes tradicionais e um motor de autonomia financeira para comunidades originárias.

O projeto, viabilizado pela ONG Recode, permite que as participantes produzam, editem e distribuam conteúdos que registram conhecimentos ancestrais. Além da preservação cultural, a plataforma atua como um ecossistema de economia solidária, possibilitando a comercialização de produtos e artes produzidos nas aldeias.

Expansão e representatividade

Atualmente, a rede conta com mulheres de 12 estados ( Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins) e do Distrito Federal, englobando etnias como Pataxó, Terena, Guajajara e Yanomami. O movimento busca combater barreiras históricas de acesso à tecnologia. "Este projeto garante que essas vozes sejam protagonistas de suas próprias narrativas", destaca Rodrigo Baggio, fundador da Recode.

A iniciativa está em fase de expansão. Com o objetivo de atingir 240 participantes até o final de 2026, as inscrições para a terceira turma — com 160 novas vagas — já estão disponíveis no portal oficial da organização. Para se inscrevrer clique aqui.

Tecnologia a serviço da identidade

Para as participantes, a IA Arandu não é apenas uma ferramenta técnica, mas um suporte para a comunicação. Júlia Tainá, indígena em contexto urbano no Acre, relata que o ambiente virtual funciona como um território de segurança e reconexão. “A IA nos apoia a estruturar nossas falas e a aprender a nos comunicar do nosso jeito, impactando o futuro sem abrir mão de quem somos”, afirma.

Funcionalidades e Ética

A plataforma oferece recursos específicos para a realidade indígena, tais como:

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