Natureza

Poeira de minério afeta comunidades e gera denúncias ao MPMS em Corumbá

Moradores de Porto Esperança e Maria Coelho relatam impactos à saúde e cobram fiscalização

28 JAN 2026 • POR Danielly Carvalho • 14h48
Moradores de Porto Esperança e Maria Coelho relatam impactos à saúde e cobram fiscalização. - Foto: Divulgação / Moradores

Moradores das comunidades de Porto Esperança e Antônio Maria Coelho, em Corumbá, protocolaram representações junto ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) relatando impactos causados pela poeira de minério levantada pelo tráfego intenso de caminhões de empresas mineradoras que atuam na região. As manifestações, apresentadas separadamente, apontam danos ambientais, prejuízos à saúde da população e falhas na fiscalização das atividades.

Em Porto Esperança, comunidade ribeirinha localizada às margens do Rio Paraguai, os moradores relatam que residências situadas a poucos metros da estrada são diariamente atingidas por uma espessa camada de poeira. O material é levantado pelo fluxo contínuo de caminhões carregados de minério, que trafegam inclusive durante a noite, cobrindo móveis, roupas, alimentos e eletrodomésticos, mesmo com portas e janelas fechadas.

Poeira de minério se acumula sobre ventilador dentro de residência na comunidade. Foto: Divulgação / Moradores

A situação tem provocado aumento de casos de asma, bronquite, rinite alérgica, irritações oculares, sangramentos nasais, dermatites, estresse e distúrbios do sono, com maior impacto sobre crianças e idosos. O tráfego intenso também gera poluição sonora constante, comprometendo o direito ao sossego da comunidade.

Há ainda registro de contaminação na área de captação e tratamento de água da comunidade, que funciona sem cobertura adequada, ampliando o risco à saúde dos moradores e agravando a vulnerabilidade sanitária do local.

Os moradores também apontam omissão do Município de Corumbá e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), responsáveis pela fiscalização e pelo controle ambiental das atividades minerárias. Segundo os relatos, mesmo diante de reclamações recorrentes, não foram adotadas medidas eficazes para conter a dispersão da poeira, controlar o tráfego de veículos pesados ou reduzir os impactos ambientais e à saúde da população.

Situação semelhante é enfrentada pela Comunidade Tradicional de Antônio Maria Coelho, localizada a cerca de 45 quilômetros da área urbana de Corumbá. Com mais de um século de história, a comunidade também formalizou representação relatando prejuízos associados ao tráfego de caminhões de mineradoras e siderúrgicas instaladas na região.

Vegetação apresenta resíduos de minério após tráfego intenso de caminhões na região. Foto: Divulgação / Moradores

De acordo com os moradores, a poeira de minério cobre residências, quintais e áreas de plantio, tornando o ambiente insalubre e afetando diretamente a agricultura familiar e o extrativismo da bocaiuva, principal fonte de renda de muitas famílias. Também há relatos de redução de mananciais e dependência de caminhões-pipa para o abastecimento de água, muitas vezes com água de qualidade considerada inadequada.

Os casos estão sob análise do órgão ministerial, que deve avaliar a adoção de medidas investigativas, a responsabilização dos envolvidos e a necessidade de ações emergenciais. As comunidades também cobram transparência na aplicação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), afirmando não perceber melhorias em infraestrutura, saúde ou ações ambientais nas áreas diretamente impactadas pela mineração.

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