Natureza

Organizações criam rede pantaneira para coexistência entre humanos e onças

Articulação reúne pesquisadores e produtores para reduzir impactos da presença de grandes felinos

26 JAN 2026 • POR Danielly Carvalho • 16h49
Participantes durante encontro que deu início a uma nova articulação ambiental no bioma. - Foto: Instituto Homem Pantaneiro (IHP)

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) passou a integrar uma articulação inédita no Pantanal voltada à convivência entre comunidades humanas e grandes felinos. A iniciativa resultou na criação da Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças, formalizada durante um encontro técnico realizado em novembro de 2025, no Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé (MT).

A Rede nasce da união entre ciência, diálogo e compromisso coletivo, com o objetivo de proteger o maior felino das Américas e, ao mesmo tempo, reduzir conflitos históricos entre onças e populações que vivem no bioma. A partir deste ano, o grupo passa a operar com um calendário próprio de atividades e debates.

A articulação foi impulsionada pela WWF-Brasil e reúne organizações ambientais, pesquisadores e representantes do setor produtivo de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Entre os participantes estão Aliança 5P, Panthera, Instituto Pró-Carnívoros, Ampara Silvestre, IHP, Jaguarte, Onçafari, Impacto/Pousada Piuval, além do ICMBio, por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).

Desde 2024, um grupo técnico já discutia estratégias para lidar com os conflitos envolvendo grandes felinos. Em 2025, a iniciativa avançou para uma rede estruturada, com metas comuns e foco em ações práticas no território.

Para Cyntia Cavalcante, analista de conservação do WWF-Brasil, a formalização da Rede fortalece a governança ambiental no Pantanal. “O que começou como uma articulação entre pesquisadores e produtores, agora ganha estrutura para gerar resultados reais. A Rede amplia o diálogo, mas também cria caminhos para políticas públicas e práticas de manejo mais eficazes”, destaca.

Parceiro desde a origem da iniciativa, o Sesc Pantanal atua como ponto de conexão entre pesquisa científica, conservação ambiental e comunidades locais. “O Sesc Pantanal é um espaço de conexão entre ciência, conservação e pessoas. Nosso papel é somar conhecimento e contribuir para soluções que nascem da vivência e da escuta do território”, explica Alexandre Enout, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal.

Com a Rede oficialmente estruturada, o foco agora é a execução do plano de ações para 2026. Entre as atividades previstas está a participação na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que será realizada em Campo Grande, entre os dias 23 e 29 de março. O cronograma inclui ainda capacitações para produtores rurais, ampliação do diálogo com comunidades pantaneiras e troca de informações entre instituições de pesquisa e conservação.

Coexistência na maior RPPN do Brasil

A RPPN Sesc Pantanal, maior reserva particular do país, se consolidou como um dos principais polos de pesquisa sobre biodiversidade no bioma. Desde 2013, a área abriga estudos contínuos sobre onças-pintadas e pardas, com o uso de armadilhas fotográficas em parceria com universidades e centros de pesquisa.

Até agora, 39 indivíduos já foram identificados. O banco de dados reúne mais de 300 mil registros audiovisuais de mamíferos e aves silvestres, reforçando o papel da reserva como laboratório vivo para a ciência.

Rede Amolar

No Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o IHP também coordena a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar), que desenvolve pesquisas e ações junto às comunidades para reduzir conflitos entre pessoas e grandes felinos.

Ainda em 2026, a região receberá um estudo voltado à estimativa da população de onças-pintadas. A pesquisa busca gerar dados que orientem novas estratégias de conservação. O projeto foi aprovado pelo Fundo Luz Alliance, gerido pela BrazilFoundation, e integra as ações da Década da Restauração dos Ecossistemas, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para viabilizar o estudo, foram adquiridas 40 armadilhas fotográficas por meio de parceria com a LogNature. O trabalho será dividido em duas etapas: uma baseada no monitoramento por câmeras e outra com atuação direta junto às comunidades locais.*Com informações do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

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