Cultura

Bloco Flor de Abacate celebra 60 anos como patrimônio vivo do Carnaval de Corumbá

15 JAN 2026 • POR Sandro Asseff • 11h10
O bloco completa hoje, 15 de janeiro, seis décadas de presença cultural, alegria popular e identidade pantaneira. - Foto: Arquivo/PMC

O Carnaval de Corumbá tem muitos símbolos, mas poucos são tão longevos, afetivos e representativos quanto o Bloco Flor de Abacate, que nesta data histórica, 15 de janeiro, completa 60 anos de fundação. São seis décadas de presença cultural, alegria popular e identidade pantaneira estampadas no samba, no estandarte, no sarong e na memória coletiva de gerações de corumbaenses.

Fundado por nomes que ajudaram a moldar a história do carnaval local, o Flor de Abacate nasceu do espírito comunitário e da paixão pela folia. Entre seus fundadores estão Hermínio de Souza Ferri, Anízio de Souza Ferri, Luiz Mário de Souza Ferri (in memoriam), Luiz Castrilão (in memoriam), Henrique Castrilão (in memoriam), Elimar Miranda, Ivan “Sapinho”, Cândido de Castro (in memoriam), Airton de Castro, Miguel de Paula, Mº de Paula, João Grilo e José Eloy de Magalhães. Homens que entenderam, desde o início, que o carnaval é mais que festa: é pertencimento, é cultura, é história viva.

Imagem histórica mostra o inicio do bloco. Foto: Soundcloud

Ao longo dos anos, o Flor de Abacate consolidou-se como um dos grandes pilares do carnaval corumbaense, revelando talentos, formando gerações e mantendo viva a tradição do samba. Foi nesse ambiente fértil que surgiu o samba “Boa Tarde, boa Tarde”, obra de Zé Loy (1969/70), que ultrapassou fronteiras e levou o nome de Corumbá para o Brasil e para o mundo, transformando-se em um verdadeiro hino afetivo da cidade.

Um capítulo fundamental dessa trajetória é a história de Dona Darci Ferri, que, ao lado de sua irmã Josélida Ferri, foram responsáveis por manter vivo o Flor de Abacate por décadas. Dona Darci foi uma das grandes organizadoras dos desfiles do bloco, dedicando-se especialmente à confecção dos adereços, enfeites e figurinos, trabalho artesanal que marcou a identidade visual da agremiação. Sua atuação se estendeu por mais de 30 anos, deixando um legado tão forte que, em 2018, o Flor de Abacate a homenageou como enredo oficial, reconhecendo sua importância histórica. Com o falecimento de Dona Darci, o Flor de Abacate, ficou sob os cuidados de Dona Josélida a missão de seguir conduzindo e preservando a essência do bloco.

Uma das marcas mais tradicionais do Flor de Abacate é justamente a ausência de camiseta oficial. O que identifica seus foliões é o sarongue, um saiote confeccionado em tecido retangular, costurado apenas de um lado e preso com cadarço — símbolo de simplicidade, tradição e autenticidade, mantido ao longo das décadas como expressão da identidade do bloco.

O Flor de Abacate também se construiu com a contribuição de inúmeras personalidades importantes, entre elas Edu Diniz (Carrapato), Carlos de Castro (Carlinhos do Cartório), Mestre Pereira, Sebastião Cantor (Sebastião da Prefeitura), José Samaria (porta-bandeira), José Apolônio Gomes da Silva (in memoriam) , José Márcio Mesquita , Dr. Iussef Iunes( Presidente de Honra), Zefirino Gomes da Silva (porta-estandarte do bloco), Tuca Miguel, Alfredo  Zamlutti (ex-presidente), César Marcos Leite Fardino.

Hoje, sob o comando e a dedicação da professora Josélida Ferri, o Flor de Abacate segue encantando o público, mantendo viva sua essência e renovando seu compromisso com a cultura popular. Sua atuação vai além do período carnavalesco: o bloco é espaço de memória, formação cultural e valorização da identidade local.

Aos 60 anos, o Bloco Flor de Abacate não é apenas uma agremiação carnavalesca. É um verdadeiro patrimônio cultural de Corumbá, símbolo de resistência, alegria e amor ao samba. Celebrar essa história é reconhecer que o carnaval da Capital do Pantanal pulsa mais forte graças a quem nunca deixou a flor murchar — e segue fazendo do abacate um eterno símbolo de festa, cultura e pertencimento.

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