Contrabando de combustível fatura mais de 3 milhões de dólares por dia, diz ministro da Bolívia
Ministro afirma que parte dos protestos na Bolívia fazem parte da estratégia de grupos criminosos
12 JAN 2026 • POR Gesiane S. Lourenço • 11h13Óscar Mario Justiniano, Ministro boliviano do Desenvolvimento Produtivo Rural e da Água, afirmou que os protestos na Bolívia é uma resposta com diferentes interesses, alguns legítimos e outros ligados a atividades ilícitas, após o consenso alcançado para um novo decreto que "aperfeiçoa o Decreto Supremo 5503", que intensifica a repressão aos crimes de contrabando na Bolívia.
"Constatou-se que existem três interesses distintos em jogo", disse o ministro ao programa A Primera Hora, da emissora EL DEBER. Entre eles, mencionou setores que buscam preservar os benefícios econômicos derivados do contrabando de combustível, do tráfico de drogas, da mineração ilegal e de outras atividades comerciais que operam à margem da lei.
A autoridade indicou que algumas organizações sociais aceitaram o acordo e optaram pela desmobilização, considerando o novo decreto um "pacto nacional" no qual vários setores puderam expressar e defender os interesses de seus membros. No entanto, alertou que outros grupos continuam com táticas de pressão sem interesse legítimo, gerando atos de violência e afetando a população.
Segundo ministro, um dos grupos com interesse ilegal nas manifestações, é o dos contrabandistas de combustíveis. Ele explica que a prática ilegal gera um lucro de 3 milhões de dólares por dia e, portanto, reiterou que o governo não fará negociações nem acordos com as pessoas que vivem dessa atividade ilícita.
"Não haverá um momento sequer em que o governo dê qualquer margem de manobra a esses setores, porque são eles que querem voltar ao passado, querem se aproveitar de toda a população boliviana e querem continuar ganhando mais de 3 milhões de dólares por dia. Mais de 3 milhões de dólares por dia que essas pessoas ganham com o contrabando de combustível", declarou o ministro.
Justiniano foi taxativo ao afirmar que o governo não negociará nem fará acordos com esses setores, que ele acusou de tentar "retornar ao passado" e de explorar a população boliviana por meio do caos e de bloqueios. Ele também identificou novas lideranças que, no contexto pré-eleitoral que antecede as eleições municipais, buscam ganhar visibilidade e legitimidade política por meio de táticas de pressão.
“Eles podem buscar representação em seus municípios, mas não à custa do sofrimento da população”, disse o ministro, reiterando que o Executivo manterá uma posição firme contra ações que afetem a paz social e o abastecimento no país. *Com informações do El Deber
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