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Presidente do IMNEGRA afirma ter sido vítima de racismo em lanchonete no centro

8 JAN 2026 • POR Gesiane S. Lourenço • 11h24
Ednir de Paulo afirma ter sido submetida a "tratamento vexatório, constrangedor e discriminatório dentro do comércio". - Foto: Divulgação/Arquivo

Ednir de Paulo, ativista social e da igualdade racial reconhecida em Corumbá, presidente do IMNEGRA (Instituto da Mulher Negra do Pantanal), declarou ter sido vítima de racismo nesta quarta-feira (07), na lanchonete Sabor de Fruta, localizada na rua Frei Mariano, no centro de Corumbá. Ednir registrou o caso em boletim de ocorrência (nº 95/2026), na Delegacia de Polícia Civil, e expôs o caso, por meio de Nota de Repúdio, na rede social do IMNEGRA.

Segundo o relato da ativista, ela teria sido submetida a "tratamento vexatório, constrangedor e discriminatório dentro do comércio", após realizar pedido e efetuar pagamento antecipado. Ela alega, que mesmo tendo chegado antes, teve o atendimento preterido, enquanto outros clientes foram atendidos prioritariamente. 

Ainda de acordo com o relato de Ednir, ao solicitar informações sobre seu pedido e a devolução do valor pago, ela teria sido publicamente exposta e acusada de "causar confusão". Ednir afirma ter sido retirada do local e proibida de retornar ao estabelecimento, de maneira constrangedora, em meio a clientes e funcionários. 

A vítima ressalta que no momento do ocorrido era a única cliente negra no local e que a situação lhe causou humilhação, constrangimento e profundo abalo emocional. Ela considera que o atendimento da lanchonete foi seletivo e que a abordagem do proprietário foi agressiva e desrespeitosa. 

Em contato com o proprietário da Sabor de Fruta, Elson Moreira, ele diz estar surpreso com a denúncia apresentada por Ednir. O empresário afirma que a lanchonete estava lotada no momento relatado e que por isso o atendimento pode ter demorado mais que o normal, porém, segundo ele, em momento algum houve palavras ou atitudes discriminatórias contra Ednir. 

"Tenho mais de 30 anos de lanchonete, somos uma empresa familiar, e todos os dias trabalhamos com respeito aos nossos clientes. Ainda vou tomar consciência de todo o relato dela, publicado nas redes sociais, e buscar apoio judicial junto à meu advogado, mas posso afirmar categoricamente, que não teve uma palavra refente a cor ou raça nessa situação", diz Elson. 

Em Nota de Repúdio assinada pelo IMNEGRA, o instituto repudia a conduta do proprietário da lanchonete, se solidariza integralmente com a sua presidente, reafirma seu compromisso permanente no enfrentamento ao racismo, à difamação e toda forma de violência simbólica e institucional, exige respeito, responsabilização e pede que fatos como esse não sejam naturalizados nem silenciados na sociedade corumbaense.  

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