Geral

Após 30 anos morador de rua reencontra família

27 ABR 2018 • POR José Carlos Cataldi • 17h41
Essa história ainda não acabou pois seus José Carlos espera rever os filhos que deixou em Brasília. Aqui Iber da Casa de Acolhimento com Aline e o vereador Manoel Fotos: Sylma Lima

Depois de 35 anos, homem que virou mendigo e andarilho por Brasília, Cuiabá, Nioaque e Corumbá tem nesta sexta-feira,27, o dia de maior sorte em sua vida. José Carlos Marques, de 56 anos, tinha npve irmãos quando deixou São Paulo sem destino. Tornou-se alcoólatra por desapego e falta de chances na vida. Mas, ao chegar a Corumbá encontrou apoio. Primeiro na ‘Casa de Acolhida’, hoje merecedora de toda atenção da Prefeitura de Marcelo Iunes. Depois de Cidadã com ‘C’ maiúsculo chamada Aline Aires Perentel, mulher do gerente da FM Cidade, afilhada da Rede Record.

Era das mãos de Aline que José Carlos Marques recebia alimentação diariamente. Mas àquela altura, atordoado pelo vício, insistia em dormir na rua. Foram oito anos assim, entre Ladário, onde Aline mora, e Corumbá onde ele passava o dia.

Num domingo, em janeiro, cansado e atordoado pela bebida, José Carlos Marques decidiu dormir à beira trilho. Remexendo-se no sono, deixou inadvertidamente a perna direita transpor a linha do trem. Acabou sofrendo amputação traumática.

José deixou forçosamente de ser ‘andarilho’, ali. Mas, em sua recuperação na Beneficência Corumbaense não deixou um só dia de receber a visita da benfeitora Aline Aires Perentel. Aquela que, em Ladário, o alimentava sempre. Passou dois meses e meio internado. Mas  recebia diariamente o conforto espiritual e amigo de Aline. Foi assim que, aos poucos, deixou ela penetrasse em seu ‘jardim secreto’, de tantas angustias e sofrimentos.

Aline Aires Perentel é nome que merece ser repetido várias e muitas vezes. Acabou levando José para a casa dela. E, cercado de carinho e atenção, José Carlos Marques deixou a bebida. Hoje, apesar da perda da perna, tem apresentação bem melhor. Está bem barbeado e de cabelos cortados e penteados.

E não pensem que a acolhida de Aline parou aí. Iniciou busca incansável por parentes ou conhecidos de José Carlos Marques. A dificuldade maior era o nome muito comum e a precariedade de informações. Sabia apenas que 35 anos atrás, José deixou nove irmãos em São Paulo e decidiu ganhar o mundo. Foi quando a ‘fada madrinha’ teve a idéia de colocar os dados que possuía em locais de buscas nas redes sociais. Até que chegou ao ‘Face’: ‘Busca Minha Família’, gerenciado por Daniele de Aires.

Daniele e Aline até se tornaram amigas, de tanto que se comoveram com o desiderato de José. Batalharam muito até que descobriram que dos nove irmãos de José Carlos Marques restavam apenas duas, que estão ansiosas por abraçá-lo.

Nessa hora entram em ação outros anjos. O vereador Manoel Rodrigues (PRB) conta a trajetória de José e a luta de Aline e Daniele nessa história pelo resgate da dignidade do ‘Ser Humano’ e recebe o “sim’ do Gerente da Empresa de Transporte Andorinha, Gisiel Rodrigues  para levar José Carlos, gratuitamente, ao encontro das duas irmãs que ainda vivem em São Paulo, 35 anos depois.

O que José Carlos Marques irá dizer? Quem sabe cantar: ‘Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir. A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir. Por me deixar respirar, por me deixar existir. Deuuus lhe pagueee’.

Aline foi o anjo que Deus ussou para ajudar José. Ela disse que é preciso persistencia e muita compaixão. Foto: CDP