Menu
sábado, 13 de dezembro de 2025
Regulariza Corumbá - Dezembro
Andorinha - WhatsApp
Natureza

Símbolo nacional da biodiversidade ainda enfrenta desafios para conservação

Hoje é o Dia Internacional da onça-pintada, data criada para alertar sobre as ameaças à espécie

29 novembro 2025 - 09h22Redação do Capital do Pantanal com Assessoria IHP

Neste sábado, 29 de novembro, é celebrado o Dia Internacional da onça-pintada. A data foi criada para alertar sobre o aumento das ameaças que a espécie, bioindicadora de equilíbrio em um território, sofre em diferentes partes do Planeta. No México e na Argentina, por exemplo, a data é para destacar o risco da extinção. No Brasil, a onça-pintada é o Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade, definido por portaria do Ministério do Meio Ambiente, em 16 de outubro de 2018. A onça-pintada é o maior felino das Américas, uma espécie guarda-chuva e sua proteção está alinhada a esforços incluídos na ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Sobre o risco de extinção, conforme a IUCN Red List, que é internacional, a classificação é quase ameaçada. Pela plataforma Salve MMA (Ministério do Meio Ambiente), a classificação é vulnerável.

Para o Pantanal, a onça-pintada está presente em diferentes situações de avistamento. Em Corumbá, na Capital do Pantanal, um indíviduo vem sendo registrado na área urbana desde o começo deste ano. Porém, em anos anteriores, esse tipo de registro também já foi relatado por moradores que vivem próximo do Canal Tamengo, que dá acesso à Bolívia, bem como no Mirante da Capivara. Em Ladário, onças-pintadas também já foram encontradas dentro da cidade. Em 2023, uma mãe e seu filhote acabaram sendo capturados em locais diferentes.

Também há o mesmo relato de avistamento da espécie em áreas mais remotas do Pantanal, tanto ao longo do rio Paraguai como do rio Miranda, bem como próximo da BR-262, que corta o território e liga Corumbá/Ladário a Campo Grande, além de outras 10 sub-regiões pantaneiras.

A equipe técnica do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) desempenha diferentes medidas para conservar a onça-pintada e promover a coexistência na relação do felino com os seres humanos. Além das atividades de monitoramento feitas em áreas da Serra do Amolar, também ocorrem coletas de dados, pesquisas científicas, educação ambiental. O Instituto tem outra iniciativa que é integrar um grupo de trabalho para a coexistência humano-onça no Pantanal, que aglomera 13 instituições de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

O IHP integra também o segundo ciclo do Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos, do Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de espécies de mamíferos carnívoros (Cenap), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O PAN Onça-pintada é a principal política pública nacional que trata sobre o tema.

No Pantanal, o IHP, realiza ações de monitoramento e conservação da espécie. Foto: Divulgação/IHP

Conforme as diretrizes do atual ciclo do PAN da Onça-pintada, as atuais ameaças para a espécie são:

  • Perda e fragmentação de habitat, com atropelamentos, construção de empreendimentos energéticos e perda de variabilidade genética;
  • Caça de retaliação com fake news que acabam fomentando conflitos entre os seres humanos e a espécie;
  • Caça esportiva;
  • Tráfico de partes do animal.

O trabalho dos pesquisadores, que envolve a equipe do IHP, definiu seis objetivos específicos para serem desempenhados ao longo do ciclo 2025-2030:

  • Manutenção ou aumento da conectividade funcional nas áreas de ocorrência dos grandes felinos, com foco na qualidade do habitat e diversidade genética;
  • Aprimoramento do sistema de combate aos ilícitos, tráfico de animais, suas partes e produtos, e redução do abate de grandes felinos em áreas estratégicas a serem identificadas pelo PAN;
  • Desenvolvimento de medidas de coexistência entre grandes felinos e seres humanos, de modo a diminuir os impactos negativos reais ou percebidos e promover a valoração da biodiversidade;
  • Desenvolvimento de estratégias de comunicação para diminuir o medo e aumentar a tolerância das pessoas com relação à presença de grandes felinos;
  • Aprimoramento dos procedimentos de resgate, recepção, manutenção, reabilitação e soltura de grandes felinos para buscar um manejo adequado;
  • Sistematização, ampliação e disseminação do conhecimento a respeito do tamanho populacional e diversidade genética, bem como o estado sanitário e epidemiológico das populações de grandes felinos.

Os desafios para cumprir as medidas de conservação e reduzir a desinformação são grandes. O primeiro ciclo do PAN Onça-pintada, 2010-2017, foi encerrado com 41% das ações previstas concluídas. Conforme dados do ICMBio, 18% das medidas ainda ficaram para ser realizadas, mesmo com o fim do ciclo. Ainda assim, em torno de 40% do planejamento não conseguiu ser alcançado. O PAN engloba não só o Pantanal, como a Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

SOBRE O IHP

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.

Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.

As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, o GT de Coexistência Humano-Onça, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/

 

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Meio Ambiente
UFMS é a 2ª federal e a 3ª universidade mais sustentável do Brasil
Meio Ambiente
Primeira chamada do PSA classificou 45 propriedades rurais do Pantanal
meio ambiente
Plano para BR-262 avança com ações contra mortes de animais no Pantanal
meio ambiente
Proprietários rurais vão receber até R$ 100 mil por áreas preservadas
Meio Ambiente
Governo federal lança painel inédito para rastrear gastos ambientais
Meio Ambiente
MS inaugura novo centro de triagem para atendimento à animais silvestres
meio ambiente
Corumbá recebe 1º Simpósio Internacional sobre Bem-Estar Animal
Meio Ambiente
Balanço da Operação Pantanal 2025 registra redução histórica de focos e área queimada
meio ambiente
MS reforça manejo do fogo e prevenção mesmo com redução de incêndios
Meio Ambiente
"Representar o Pantanal na COP 30 foi transformador", diz universitária de Corumbá

Mais Lidas

Política
Secretária Jossiely Godoi é homenageada com a mais alta honraria do Crea-MS na Assembleia
Acientede
Trabalhador morre após ser prensado por barcaça no Porto Esperança
Rapaz de nacionalidade paraguaia tinha 25 anos
Oportunidade
Processos seletivos do IBGE com vagas para Corumbá tem inscrições prorrogadas até 17 de dezembro
Polícia
Passageiro abandona mochilas com quase 10 quilos de maconha em Corumbá