O isolamento logístico ameaça novamente a região sudoeste de Mato Grosso do Sul (MS). Através da UPPAN (União dos Produtores do Pantanal do Nabileque), fazendeiros da região intensificam a mobilização para cobrar a reconstrução de infraestruturas vitais: as pontes sobre a Vazante do Relógio e o Rio Naitaca, destruídas por incêndios florestais e ainda pendentes de execução.
A organização dos produtores rurais tem sido a voz de quem enfrenta o desafio de produzir no bioma. Sem as estruturas definitivas, o acesso às propriedades depende de desvios precários que, com a chegada das chuvas, tornam-se intransitáveis, colocando em risco o escoamento da pecuária e a segurança dos trabalhadores.
O Drama do Isolamento: Desvios de 140 km e Acesso por Barco
Para os produtores representados pela UPPAN, a rotina logística tornou-se um pesadelo. João Paulo Napoli, fazendeiro na região, relata ao Capital do Pantanal que o caminho tradicional por Bonito, que passa por área indígena, está comprometido. O incêndio que atingiu a ponte original e as chuvas recentes alagaram o trecho, impedindo o tráfego.
A alternativa atual é um contorno por Miranda, via estrada da Fundação Bradesco, o que aumenta o percurso em cerca de 140 quilômetros.
"Quando vêm as chuvas da serra, a água desce pelo Naitaca e enche o desvio da ponte. Nesse trecho, tem que passar de barco, deixar o carro e procurar trator do outro lado para conseguir acessar as fazendas", desabafa Napoli.
O temor da UPPAN é que, sem as pontes de concreto, a região fique totalmente isolada se as águas romperem as passagens de terra, que não possuem tubulação adequada para suportar o volume das cheias.
Status das Obras: Contratação Feita, mas ainda sem Licença Ambiental
Em resposta aos questionamentos, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) informou que as pontes da Vazante do Relógio e do Rio Naitaca já foram contratadas sob a modalidade de contratação integrada (projeto + execução), que a elaboração dos projetos está em fase final, e que neste momento dependem do licenciamento ambiental para dar inicio as obras.
Embora o governo tenha dado o passo administrativo inicial, as estruturas provisórias de madeira que foram reconstruídas em 2022 voltaram a ser alvo do fogo, reforçando a necessidade urgente de substituição por concreto, material mais resistente aos ciclos de seca e cheia do Pantanal.
Imasul sem resposta
Até o fechamento desta matéria, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) não respondeu aos questionamentos sobre a concessão da autorização ambiental necessária para o início imediato das obras de construção das pontas do Relógio e Naitaca. A UPPAN e os produtores locais cobram transparência sobre os prazos para que as máquinas possam, finalmente, entrar em campo.
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Trecho da Fundação Bradesco, no Pantandl do Nabileque. (Foto: Enviada ao Capital do Pantanal)

