O Pantanal, que se estende entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e adentra áreas da Bolívia e Paraguai, é reconhecido como a maior planície alagável contínua do planeta. A data de 12 de novembro, celebrada como o Dia do Pantanal, lembra a luta do ambientalista Francisco Anselmo de Barros, conhecido como Francelmo, que dedicou mais de 25 anos à preservação da região e faleceu após ato extremo de protesto contra a instalação de usinas de álcool no bioma, em 2007, em Campo Grande.
Em 2025, o Pantanal ganha visibilidade global com a presença do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) na COP30, em Belém (PA), levando a mais de duas décadas de experiência em conservação para o debate internacional.
O analista ambiental Wener Hugo Moreno explica que o Pantanal desempenha papel estratégico na regulação climática. “O ciclo de cheias e vazantes age como amortecedor hídrico natural, controla fluxos de água e energia e influencia a umidade da América do Sul, mantendo o regime de chuvas. Além disso, solos e vegetação acumulam carbono, reduzindo CO atmosférico e contribuindo para o equilíbrio climático global”, detalha.
O bioma também é essencial para a mitigação das mudanças climáticas, graças à sua biodiversidade, capacidade de filtragem da água e armazenamento de carbono. Caso o Pantanal perca essa função, secas e cheias mais intensas se tornariam frequentes, aumentariam emissões de gases de efeito estufa e ampliariam os riscos de queimadas e eventos extremos, com impacto direto no clima regional e global.
Proteção das áreas úmidas e COP30
A preservação do Pantanal é considerada crucial para a agenda climática internacional. Como ecossistema transfronteiriço, envolve colaboração entre Brasil, Bolívia e Paraguai para garantir segurança hídrica e alimentar de milhões de pessoas. A UNESCO e a Convenção de Ramsar reconhecem sua importância como patrimônio da humanidade.
“Pensar o Pantanal como laboratório vivo de adaptação climática é compreender que políticas de uso do solo, conservação da água e da biodiversidade são decisivas para a resiliência do clima global”, afirma Moreno. Iniciativas locais, como brigadas de combate a incêndios, monitoramento da biodiversidade e educação ambiental, reforçam essa proteção.
O IHP e parceiros reforçam, no Dia do Pantanal e na COP30, o compromisso com pesquisa, monitoramento e políticas sustentáveis que integrem comunidades locais, ciência e governança. Cada pessoa também pode contribuir: apoiar produtos e projetos sustentáveis, combater desmatamento e fogo ilegal, promover educação ambiental e turismo consciente são passos essenciais para manter o bioma vivo e equilibrado.
Pantanal em números
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Área total: 138.183 km², ocupando 1,8% do território nacional
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Distribuição: 65% em Mato Grosso do Sul e 35% em Mato Grosso
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Influência de quatro biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica
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Reconhecimento: Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2000
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Subdivisões: 11 pantanais identificados, cada um com características próprias
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Biodiversidade: quase 2 mil espécies de plantas, com potencial medicinal e econômico
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Proteção: 4,68% do território em 28 unidades de conservação, entre integral e uso sustentável
*Com informações do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Embrapa Pantanal e Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.
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Especialistas e instituições destacam papel do Pantanal na regulação do clima e conservação. (Foto: Instituto Homem Pantaneiro (IHP))


