Rapaz de 21 anos morreu após beber cachaça; frasco foi recolhido e caso é apurado pela Polícia Civil e órgãos de saúde.
(Foto: Bruna Marques)
A morte de um jovem de 21 anos, morador de Campo Grande, acendeu um alerta de possível intoxicação por metanol, caso que, se confirmado, pode ser o primeiro registrado em Mato Grosso do Sul. Ele deu entrada na noite desta quinta-feira (2) na UPA Universitário, reclamando de náusea, dor abdominal e vômito escuro. Pouco mais de uma hora depois, não resistiu.
Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz contou que os sintomas começaram depois de ingerir bebidas alcoólicas. O relato da família, no entanto, trouxe versões diferentes: a mãe afirmou que a cachaça teria sido comprada em um supermercado, enquanto o irmão disse à polícia que adquiriu a garrafa em uma conveniência.
O rapaz chegou à unidade de saúde caminhando por conta própria e foi classificado com risco moderado (cor amarela). Minutos depois, sofreu convulsões, perdeu a consciência e entrou em parada cardiorrespiratória. Os médicos tentaram reanimá-lo por quase uma hora, mas o óbito foi confirmado às 19h53.
A equipe da UPA reteve o frasco da bebida e encaminhou amostras de sangue e urina para análise no Lacen (Laboratório Central). O corpo seguiu para exame necroscópico no Imol.
Na manhã desta sexta-feira (3), investigadores da Decon (Delegacia do Consumidor) recolheram o frasco ingerido pelo jovem e foram até a conveniência citada pela família, acompanhados de equipes do Procon e da Vigilância Sanitária. Outros recipientes de bebida encontrados na casa da vítima também foram apreendidos.
O histórico médico apontou ainda consumo de álcool desde a adolescência, o que deve ser considerado na investigação.
O risco do metanol
Usado em indústrias químicas e de combustível, o metanol não tem qualquer aplicação segura para consumo humano. Por não ter cheiro, cor ou sabor, pode ser adicionado ilegalmente a bebidas sem levantar suspeitas. No organismo, se transforma em compostos tóxicos capazes de causar cegueira, falência de órgãos e até a morte.
Casos recentes em outros estados levantaram suspeitas de adulteração de bebidas, o que levou o Ministério da Saúde a instalar uma Sala de Situação nacional, em parceria com Anvisa, Ministérios da Justiça e da Agricultura e vigilâncias locais.
Nota do Estado
Em comunicado, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o caso por meio da Secretaria de Saúde (SES) e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A Polícia Civil, através da Decon, conduz as investigações e apura possíveis crimes relacionados a adulteração de bebidas e perigo comum.
O corpo passou por exame necroscópico no Imol, e amostras foram encaminhadas para análise laboratorial aprofundada. O resultado deve sair em até 30 dias. Até agora, não há confirmação da presença de metanol.
“O Governo do Estado lamenta o ocorrido, se solidariza com os familiares da vítima e reitera que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para o esclarecimento completo dos fatos”, diz a nota.
*Com informações do Campo Grande News.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Leia Também
PF deflagra operação Terra Forjada contra esquema de grilagem em Mato Grosso do Sul
Acusado por tentativa de homicídio é preso em Ladário
Força Tática localiza mulher desaparecida desde 2019 em Corumbá
Foragido é preso em Ladário após ameaçar família em conveniência
Caminhão com droga escondida é interceptado na BR-262
Polícia Militar prende suspeitos após assalto em Corumbá
Ação conjunta retêm 27 toneladas de insumo químico para cocaína na Fronteira
Operação Semana Santa 2026 tem foco nas ultrapassagens proibidas em MS
Operação desarticula esquema de tráfico internacional em Corumbá