Preso em Santa Cruz, capital da Bolívia, Tuta foi entregue à Polícia Brasileira nesse domingo, 18. Ele foi levado para o presídio de Brasília, onde Marcola também cumpre pena.
(Foto: Reprodução)
De acordo com especialistas no crime organizado, ouvidos pelo UOL, a prisão de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, não irá interferir em nada o funcionamento da considerada maior organização criminosa do país. Tuta é apontado como o sucessor de Marcola, e líder do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele foi preso na última sexta-feira, 16, em Santa Cruz de la Sierra, capital da Bolívia, após apresentar identidade falsa quando tentava renovar o documento estrangeiro.
Capturado, Tuta foi entregue à polícia do Brasil na manhã deste domingo, 18, e no mesmo dia foi enviado para o presídio de Brasília, onde Marcola também cumpre pena.
Lincoln Gakiya, promotor de Justiça de São Paulo que investiga o PCC há duas décadas, afirmou ao UOL, que "Tuta não é mais o número 1 do PCC" e que "existem outros criminosos de igual calibre que estão soltos na Bolívia".
Em 2020, a operação Sharks, do Ministério Público de São Paulo, apontou Tuta como o substituto de Marcola (preso desde 1999) no PCC, porém, de lá para cá outras lideranças passaram a dividir com Tuta o comando da organização. De acordo com a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, há outras lideranças em liberdade que podem assumir as funções de Tuta. "É como numa empresa. Se o CEO e o vice saem, outras pessoas os substituem e a empresa continua funcionando", disse.
Apesar de não ser o principal líder do PCC, a prisão de Tuta ainda é considerada de grande importância, pois ele ocupava a alta diretoria da organização desde 2006, época em que São Paulo sofreu ataques que vitimaram mais de 500 pessoas.
Atualmente, Tuta desempenhava a função de representante comercial do tráfico internacional de drogas do PCC. Ele negociava a exportação da cocaína para a Europa, transitando com facilidade entre a Bolívia, Paraguai e Caribe.
Reduto do PCC
A Bolívia, país vizino à Corumbá, terminou se tornando reduto para os criminosos do PCC. Segundo Gakiya, eles gerenciam os negócios a partir da Bolívia por meio de aplicativos de mensagens que não podem ser interceptados. Para o promotor, a prisão de Tuta representa uma "esperança" de que a Bolívia "passe a colaborar" com o Brasil na captura de outros criminosos que vivem no país.
Gakiya diz integrantes do PCC encontraram "uma rede de proteção" na Bolívia. Ele cita André de Oliveira Macedo, o André do Rap; Sérgio Luiz de Freitas, o Mijão; Patrick Uelington Salomão, o Forjado; e Pedro Luiz da Silva, o Chacal. Todos fixaram moradia em condomínios de luxo naquele país, de onde comandam comércios e levam os filhos à escola, disse o promotor. *Com informações do UOL
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