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Testemunhas inocentam delegado acusado de matar traficante em Corumbá

07 janeiro 2020 - 08h37Sylma Lima

Nove meses após a prisão do delegado de Polícia Civil Fernando Araújo da Cruz Junior em Corumbá, o Capital do Pantanal consegue fazer com que a família do policial quebre o silêncio sobre o misterioso assassinato de um narcotraficante, com prisão expedida pela Comarca de Içara/SC, cujo suspeito do crime seria o delegado.

Fernando - provavelmente - vai a júri popular apesar de nenhuma das testemunhas tê-lo reconhecido como autor dos disparos que tingiram Alfredo Rangel Weber, conhecido por “Ganso”, no interior de uma ambulância, na altura do pedágio, na Rodovia Ramon Gomez, que liga o Brasil ao país vizinho no dia 23 de Fevereiro de 2019.

Após duas audiências de instrução, nas quais Fernando participou através de videoconferência, várias testemunhas foram dispensadas pela promotoria. As que deram depoimento negaram ter sofrido qualquer tipo de coação para mentir à justiça.  O médico que estava na ambulância em que a vítima foi morta, foi outro que também não reconheceu o delegado como sendo o atirador.

Na audiência realizada em 20/09/19 (a primeira do caso) foram ouvidas partes das testemunhas de acusação, incluindo o médico que estava no interior da ambulância acompanhando a vítima no momento em que foi morta. Todos foram unânimes em negar terem sofrido qualquer tipo de ameaça ou coação pelo acusado, não tendo sido sequer procuradas para tratar do assunto. O médico ainda disse não reconhecer o delegado como sendo a pessoa que atirou na vítima. Diante deste quadro, o Ministério Público optou por dispensar as testemunhas de acusação restantes.

O interrogatório do delegado aconteceu em 06/12/19, contou que as ameaças de morte proferidas por “Ganso” direcionadas a ele e sua família, aconteceu em razão de a vítima ter descoberto que Fernando estava produzindo informações sobre suas atividades ilícitas desenvolvidas e repassando à polícia boliviana, no entanto, não foi o único ameaçado naquele dia.

Delegado acha estranho pressa no pedido de sua prisão e questiona porque não pediram as imagens das câmeras de segurança da casa. Foto: Capital do Pantanal

Alfredo Rangel (possuidor de diversos inimigos, segundo um policial da corregedoria ouvido em audiência) somente na associação de ganaderos (fazendeiros),  onde foi esfaqueado, havia momentos antes agredido um jovem, por motivo ainda desconhecido, e ameaçado um deputado boliviano, isto após retornar de um evento na zona rural da mesma cidade em que se envolveu em uma discussão com dois homens, havendo juras de morte recíprocas.

Curiosamente, os detalhes da existência de outros suspeitos foram omitidos na investigação, além disso, todos os policiais de Corumbá teriam sido terminantemente proibidos de ajuda-lo a provar sua inocência, sob pena de serem presos juntamente com ele (através de um áudio vazado por um policial, descobriu-se que a prisão havia sido antecipada antes mesmo de iniciada a investigação). Foi o que aconteceu com o investigador Emmanuel Contis. Com isso, diversas testemunhas deixaram de ser encontradas e câmeras de vigilância que mostravam o delegado realizando o trajeto de volta para casa com sua família (mais de trinta, segundo levantamento feito) não tiveram as imagens solicitadas pela polícia.

Em busca de respostas

O Capital do Pantanal além de conversar com a família de Fernando, que reside na Bahia e sofre com a acusação, também conversou com sua esposa, a advogada Silvia Aguillera Ibanez, filha do prefeito da cidade de Carmen Rivera Torres, próxima à Fronteira, Assis Aguilera.

Em busca de mais elementos sobre a acusação feita ao delegado, à reportagem também conversou nesta manhã de segunda-feira, 06, com dois pecuaristas que estavam no local e teriam presenciado as discussões envolvendo “Ganso” e outros algozes, “ele já chegou na associação embriagado e promovendo muito tumulto. Ele ofendeu a integridade de um deputado e outras pessoas que estavam no local. Eu estava na mesa com o delegado momentos antes dele ser esfaqueado e, diante do tumulto, Fernando pegou o filho menor nos braços junto com a mulher e saíram para fora do local. Eu peguei carona com eles na caminhonete do pai da Silvia até minha casa. Mas o que chama a atenção é como ele poderia esfaquear alguém e imediatamente depois me oferecer uma carona?”, questionou Roy Jordan Lopez.

A conversa se estendeu a outro pecuarista que presenciou boa parte das discussões. Este também garantiu que quando houve o esfaqueamento o delegado estava em outro lado do espaço: “quando ouvimos a gritaria eu estava sentado próximo à garagem e corremos em direção contrária onde aconteceu a briga que culminou com golpes de faca. Era muita gritaria. Vi quando Fernando correu com um dos filho no colo, porque estávamos muitos próximos, mas longe da briga”, disse Geovanny Cuellar, “outra coisa estranha é que não fomos chamados pela polícia brasileira para dar depoimento sobre este caso, apesar de estarmos no local”.

Associação dos Fazendeiros de Porto Suarez, onde a briga começou. Foto: Capital do Pantanal

O caso, que ganhou grande repercussão, começou no dia seguinte ao crime, quando espalharam pela cidade fotos de Fernando com a esposa, o acusando. “Desde esse dia nossa vida virou um inferno.  Meu marido foi preso, humilhado na presença dos filhos, acusado de matar um traficante. Fernando é uma pessoa de bem, tem títulos de cidadão e outras honrarias por todos os municípios por onde atuou e prestou relevantes serviços. Para manter ele preso, alegam que ele poderia fugir porque eu tenho nacionalidade boliviana, mas como ele faria isso se meu pai tem uma imagem a zelar nesta região de fronteira? Ele é prefeito de Carmem há 15 anos, um grande líder popular e Fernando é concursado e de boa índole, por que ele iria fugir? Eu pergunto: a troco de que levaríamos uma vida de foras da lei quando temos casa em Corumbá e três filhos para criar? Eu não entendo as leis brasileiras, mas na Bolívia não se prende uma pessoa sem provas contundentes", disse a advogada Silvia Aguillera com exclusividade ao Capital do Pantanal. “Além de toda a truculência dos policiais, que me agrediram com meu filho nos braços, sem que eu pudesse me defender. Precisava fazer tudo isso, sendo que eram mais de quinze policiais, e eu só uma mulher com o filho de um ano no colo?”, questionou Silvia, explicando que fez corpo de delito com o médico legista (dr. Riad) da Polícia Civil no dia da prisão, porque deixaram marcas no seu rosto, na perna e no braço do filho.

O advogado de defesa de Fernando, Rene Siufe, diz que seu cliente é inocente e vai provar: “Acredito que ele será levado a júri popular devido à repercussão e pirotecnia feita em cima do caso. Em situações assim é raro o juiz absolver sumariamente. O costume é jogar a absolvição nas mãos dos jurados, e assim evitar qualquer questionamento”, disse Siufi, explicando que “o grande problema é que infelizmente no Brasil há uma inversão da ordem jurídica, a regra se tornou prender. Nestes casos, especificamente em que são pessoas leigas que julgam, a acusação tenta ao máximo manter a prisão do réu para causar uma falsa impressão de que alguma culpa existe. São desenvolvidas as mais absurdas justificativas para isso”, concluiu Rene Siufi ao Capital do Pantanal.

Vida pregressa 

O narcotraficante Alfredo Rengel Weber, ou “Ganso”, possuía condenação no estado de Santa Catarina e, após ter seu laboratório de refino de cocaína descoberto pela polícia daquele Estado, nunca mais teria retornado ao Brasil, motivo pelo qual portava a identidade de um parente quando foi morto a caminho do hospital de Corumbá.

 

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