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Pantaneiros querem apressar ações no Taquari com estudo da Embrapa

27 setembro 2018 - 07h35Assessoria de imprensa

As intervenções na bacia do Rio Taquari para recuperar suas margens e controle do processo de sedimentação que entupiu seu canal, inundando permanentemente milhares de hectares no Pantanal, podem ser aceleradas e concretamente executadas com base em um estudo realizado em 2006 pela Embrapa Pantanal. A proposta é defendida pelo Sindicato Rural de Corumbá, cujo município perdeu 1,2 milhão de hectares com o desastre ambiental.

No documento, assinado por renomados pesquisadores, a Embrapa propõe soluções imediatas e efetivas para a recuperação do Taquari, por meio de dez ações. O presidente do Sindicato Rural, Luciano Aguilar Leite, enfatiza que o estudo poderia ser incorporado ao projeto técnico que está sendo elaborado pelo Governo do Estado, sem necessidade de novos estudos e prolongamento das discussões acadêmicas, que se arrastam por mais de 40 anos.

“Entendemos que a Embrapa Pantanal é o órgão com autoridade para definir o que deve ser feito para recuperar o Taquari e seu estudo aponta todas as soluções que ainda se discute. Assim, colocamos em prática o que foi proposto tecnicamente há dez anos”, afirma Luciano Leite. Para o dirigente, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) deve incorporar o estudo da Embrapa ao seu projeto de recuperação da bacia do Taquari em elaboração.

Taquari tem pressa

A situação do Taquari é grave, por falta de ações governamentais: a rápida e desordenada expansão agrícola no Norte do Estado, na década de 1970, intensificou a entrada de sedimentos na planície pantaneira, dando origem ao mais grave problema ambiental, econômico e social de Mato Grosso do Sul. O entupimento do rio mudou seu curso e provocou o rompimento das margens, inundando permanentemente áreas produtivas na região do Paiaguás.

Luciana Leite presidente do Sindicato Rural de Corumbá. Foto: Divulgação

Para o Sindicato Rural de Corumbá, o posicionamento oficial da Embrapa deve nortear as medidas que serão ser tomadas em consonância com as orientações do Ministério Público Federal (MPF), acordadas em recente audiência pública em Coxim. Nesse encontro, ficou claro que o MPF poderá retirar as ações que suspendem o licenciamento ambiental no Taquari a partir da apresentação do plano de recuperação do rio, a cargo do Imasul.

“O estudo da Embrapa está pronto, precisamos agora de ações efetivas de governo, o Taquari não pode esperar mais”, ressaltou Luciano Leite. O documento, segundo ele, é o embasamento técnico que o Ministério Público aguarda para se pronunciar em relação à licença ambiental. “Podemos avançar na definição desse projeto de intervenção e os dados da Embrapa são de fundamental importância nesse momento, não podemos retroceder”, sugere o dirigente.

Estudo da Embrapa

A Embrapa Pantanal, após estudos realizados pelo órgão sediado em Corumbá e instituições parceiras, concluiu a necessidade de dragagem do Taquari na planície para restaurar os padrões de inundação anteriores às erosões decorrentes da ação humana no planalto, iniciadas a partir de meados da década de 1970. Também propõe a manutenção das barrancas do rio em pontos críticos da planície, a fim de evitar a formação de novos extravasamentos.

O estudo prevê a construção de barragens de contenção de sedimentos no planalto e uma série de medidas de recuperação e conservação do solo e da mata ciliar, contemplando a implantação de atividades produtivas e adoção de tecnologias que aumentem a cobertura dos solos; contenção de voçorocas; recuperação e manejo adequado das pastagens; programas de educação ambiental e recuperação e adequação permanece das estradas vicinais.

 

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