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Pantaneiros querem apoio político para o projeto do Taquari no próximo governo

11 dezembro 2018 - 09h59silvio Andrade

Depois de vislumbrar um avanço nas discussões em torno de um projeto para recuperação da bacia do Rio Taquari, com a destinação de recursos captados via conversão de multas ambientais aplicadas pelo Ibama, os pantaneiros estão preocupados com a proposta da equipe de transição da área ambiental do governo de Jair Bolsonaro de revogar os decretos do atual governo que tratam do tema e do licenciamento ambiental.

O Sindicato Rural de Corumbá – município mais afetado pelo desastre ambiental – se manifestou ao cobrar posicionamento do Governo do Estado e das lideranças políticas e rurais para que o decreto da conversão de multas seja mantido. Caso contrário, o plano de intervenções definido na semana passada, em Campo Grande, será inviabilizado e o Pantanal continuará sendo penalizado pela degradação ocorrida por conta do assoreamento do rio.

“Vamos trabalhar junto às nossas lideranças para que o futuro presidente tenha conhecimento real do que está ocorrendo no Taquari e da oportunidade única de recuperarmos o rio usando esse dinheiro das multas”, disse o presidente da entidade ruralista, Luciano Aguilar Leite. Ele adiantou que os pantaneiros querem ser ouvidos por Bolsonaro e vão pedir apoio da futura ministra de Agricultura, deputada federal (DEM/MS) Tereza Cristina, e da Famasul.

Retrocesso

Para o diretor de relações institucionais do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo, a revogação do decreto penaliza uma região com inundação permanente de 1,3 milhão de hectares, enquanto existe uma oportunidade clara de reverter esse processo. Ele considera a medida um retrocesso, num momento em que o país sofre uma crise hídrica e os recursos da conversão de multas viabilizariam projetos estratégicos, como o da bacia do Rio São Francisco.

Um dos coordenadores da reunião técnica convocada pelo Ibama para definir os eixos do plano de intervenção no Taquari, na Capital, Rabelo afirmou que a proposta de revogação dos decretos demonstra desconhecimento do problema energético que o Brasil enfrenta e não faz sentido abrir mão desses recursos. “No caso do Taquari, não temos falta de água, mas excesso. A maioria das multas não vem do agronegócio, mas das mineradoras e petrolíferas.”, disse.

Ação integrada

As metas estabelecidas para a recuperação do Taquari, definidas na reunião técnica, segundo o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, apontam para uma solução definitiva para salvar um rio sem curso. Ele destacou a convergência de posições, tanto dos produtores rurais, ambientalistas, pesquisadores e órgãos governamentais, fato que nunca ocorrera antes. “Hoje não temos conflitos entre planalto e planície, todos serão contemplados”, observou.

Luciano Leite disse que existe um alinhamento da Embrapa Pantanal e do Governo do Estado com o setor produtivo, que sofre o impacto do desastre ambiental e era apontado como vilão dos efeitos da degradação generalizada na bacia do Taquari. “O foco hoje é a solução para o Taquari, há um consenso quanto às intervenções, isso está muito claro. E existe o dinheiro, não dependemos mais de orçamento da União, apenas de bons projetos”, falou.

Na contramão

O dirigente ruralista se posicionou durante discurso na abertura da reunião técnica, realizada na última sexta-feira, afirmando que ao longo de décadas os legisladores do país vêm criando obstáculos ao restringir as oportunidades de desenvolvimento sustentável, em especial no Pantanal. Disse que em relação ao bioma, as leis são severas aos que historicamente produzem e conservam a região, referindo-se ao homem pantaneiro.

“O discurso tanto em nosso país como no mundo a respeito do Pantanal é paradoxal e falacioso, pois o maior desastre ambiental, econômico e social é inexplicavelmente preterido”, criticou. “A quem pode interessar tal situação?”, questionou. “Num mundo que procura alternativas econômicas e ecológicas para a as atividades empresariais, o Estado pouco ou nada fez para salvar o Taquari, ignorando a gravidade do problema.”

Luciano destacou, no entanto, a iniciativa do presidente Michel Temer em decretar a conversão das multas ambientais em projetos de recuperação de áreas degradadas. Também elogiou o governador Reinaldo Azambuja pelo empenho na elaboração do projeto que norteará as ações de recuperação do Taquari, e citou o apoio da prefeitura e dos vereadores de Corumbá, “pela coragem e determinação na luta para defender os interesses dos pantaneiros”.

 

 

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