Moradores da comunidade Antônio Maria Coelho, na zona rural de Corumbá, denunciam que a extração de ferro e manganês tem causado uma série de prejuízos à saúde, ao meio ambiente e à qualidade de vida local. Eles relatam aumento da poeira nas estradas e nas casas, o que estaria prejudicando plantações, contaminando reservatórios de água e provocando problemas respiratórios, principalmente em crianças e idosos.
Segundo os relatos, o uso excessivo de água doce pela empresa LHG Mining Corumbá S.A., destinada à lavagem do minério e ao molhamento das vias, contrasta com a escassez enfrentada pelos moradores. Muitas famílias precisam improvisar poços ou transportar água de longas distâncias para o consumo diário. Além dos impactos ambientais, há queixas sobre o abandono de serviços públicos e a falta de infraestrutura básica na região.
Outro problema apontado é o tráfego intenso de caminhões carregados de minério, que danificam as estradas e aumentam o risco de acidentes. A poeira levantada pelos veículos, afirmam os moradores, cobre plantações, roupas e casas, tornando ainda mais difícil manter a limpeza e utilizar a pouca água disponível.
Os moradores dizem se sentir excluídos do desenvolvimento prometido pela mineração. Alegam que os empregos oferecidos são temporários e de baixa remuneração, enquanto as vagas mais qualificadas acabam sendo preenchidas por pessoas de fora da região. Apesar de conviverem há décadas com a atividade mineradora, muitos afirmam não perceber retorno social ou econômico para a comunidade.
Moradores criticam audiência pública por falta de transparência e espaço para participação. Foto: Divulgação As críticas também se estendem à audiência pública de apresentação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), considerada excludente e pouco transparente. Moradores relatam que o evento foi realizado sem ampla divulgação e sem espaço para perguntas. Segundo eles, as manifestações da população foram interrompidas e as respostas dos técnicos da empresa foram vagas e evasivas. Entre as preocupações levantadas está a preservação de sítios arqueológicos, como o Nossa Senhora Auxiliadora, que teria sido ignorado ou minimizado nos estudos ambientais.
Diante das denúncias, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou, em agosto deste ano, um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no licenciamento ambiental da expansão da mineração. O órgão questiona o fracionamento do processo conduzido pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e defende que a análise deveria ser feita de forma integrada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Segundo o MPF, o Imasul teria licenciado apenas a parte terrestre do empreendimento, sem considerar os impactos do transporte fluvial do minério pelo Rio Paraguai.
Em outubro, o MPF ingressou com uma Ação Civil Pública pedindo a anulação do licenciamento, argumentando que é preciso garantir transparência, controle social e participação popular na avaliação de empreendimentos de grande impacto no Pantanal. O Ministério Público Estadual (MPMS) acompanha o caso por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Corumbá.
Placa indica a localização do sítio arqueológico Nossa Senhora Auxiliadora. Foto: Divulgação O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que atua como órgão interveniente no processo, analisando aspectos do patrimônio cultural, imaterial e arqueológico. Em nota técnica, o instituto afirmou que os estudos arqueológicos contemplaram os sítios existentes na área de abrangência e que foram adotadas medidas preventivas, como cercamento e sinalização.
O Capital do Pantanal entrou em contato com a LHG Mining Corumbá S.A. e com o Imasul, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta matéria. O espaço segue aberto para possíveis esclarecimentos.
Enquanto isso, moradores e entidades locais contestam a narrativa de que o empreendimento trará benefícios à região. Eles afirmam que, enquanto a mineração avança, a comunidade de Antônio Maria Coelho e outros assentamentos enfrentam o agravamento dos impactos ambientais, a precarização dos serviços públicos e a perda gradual da qualidade de vida no entorno do Pantanal.
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Comunidade relata prejuízos à saúde e ao meio ambiente; MPF investiga licenciamento do empreendimento. (Foto: Divulgação )

