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Março Lilás: Médico fala de transmissão, sintomas e prevenção ao câncer de colo uterino

13 março 2021 - 11h52Mariana Conte

Em março, mês em que as atenções estão voltadas as mulheres em razão do Dia Internacional da Mulher, que foi celebrado no dia 8, acontece também a campanha Março Lilás. O intuito é informar e conscientizar a população sobre o câncer de colo uterino, um tipo de câncer muito frequente entre as mulheres.

Causado principalmente pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano, o HPV, o câncer de colo de útero é transmitido durante as relações sexuais.

É bom destacar que, além da transmissão pelo vírus HPV, histórico familiar, tabagismo, início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, má higiene íntima, uso prolongado de anticoncepcional por mais de dez anos, assim como de remédios imunossupressores, corticoides e baixa imunidade são fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença. 

De acordo com o Delegado Regional da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Mato Grosso do Sul. O médico ginecologista e obstetra, Ivo Hideo Shibayama, essa é uma doença prevenível e curável que quando diagnosticada na fase inicial tem elevado índice de sucesso no tratamento. “O tratamento adequado e sem atrasos é um fator prognóstico importante. Porém, tem alta morbidade e mortalidade entre mulheres nos países sem programas de prevenção organizados como no Brasil. Os cânceres invasivos do colo do útero são geralmente tratados com cirurgia ou radioterapia combinada com quimioterapia. A escolha da melhor opção terapêutica depende do estadiamento clínico do tumor, da idade, da história reprodutiva, do estado geral da paciente e das condições disponíveis no serviço de saúde”, explicou ao Capital do Pantanal.

Ivo lembrou que o HPV, uma infecção sexualmente transmissível, desempenha um papel na causa da maioria dos casos de câncer de colo de útero. “Quando exposto ao HPV, o sistema imunológico do corpo geralmente impede que o vírus cause danos. Em uma pequena porcentagem das pessoas, porém, o vírus sobrevive por anos, contribuindo para o processo que faz com que algumas células cervicais se tornem alteradas e desenvolva lesões precursoras do câncer que podem evoluir para o câncer propriamente dito”, detalhou.

Segundo o médico cerca de 70% das pacientes são diagnósticas com a doença sem condições de cirurgia, ou seja, na fase avançada e se faz necessária a radioterapia e a quimioterapia concomitantes.

“Globalmente surgem mais de 570.000 novos anualmente e morrem mais de 311.000 mulheres a cada ano. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria das mortes acontece nos países com baixo índice de desenvolvimento”, afirmou o médico.

Sintomas

Quando apresenta sintomas, os mais comuns são corrimento anormal, sangramento que pode acontecer entre as menstruações ou após as relações sexuais e, em estágios mais avançados da doença, podem ter relação com o aparelho urinário, dor muito forte no pé da barriga, surgimento de uma massa ou tumor palpável na região da barriga.

Prevenção

O médico Ivo Shibayama afirmou que pode-se reduzir o risco de desenvolver câncer do colo do útero se for vacinado (prevenção primária) e fazendo testes de rastreamento (prevenção secundária) periódicos.

“O câncer de colo de útero (câncer cervical) é uma das formas de câncer mais evitáveis e tratáveis com sucesso, se for detectado e diagnosticado precocemente e gerenciado de forma eficaz. As vacinas para HPV são altamente efetivas e promovem uma diminuição significativa das infecções por HPV e consequentemente também das lesões pré-neoplásicas e neoplásicas do colo do útero”, relatou Ivo.

Entretanto, ele ressalta que no nosso país, a cobertura da vacinação tem sido abaixo do necessário para uma ação efetiva nas próximas décadas. As razões para explicar as baixas coberturas são principalmente pelas barreiras logísticas de acesso e pela falta de educação contínua da população.

O Câncer de Colo de Útero no Brasil

No Brasil o câncer de colo uterino ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias malignas entre as mulheres com 15,43 casos por 100.000 mulheres ao ano e o quarto em mortalidade.

Nas ações de rastreamento deste câncer em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos, de forma organizada com citologia oncótica cérvico-vaginal e intervalo trienal, com cobertura de 70% desta população, há redução significativa da sua mortalidade com cifras inferiores a 2 mortes por 100.000 mulheres ao ano.

No Brasil pelo sistema público, o rastreamento é feito exclusivamente pela citologia oncótica. As diretrizes de rastreamento publicadas em 2017 ditam rastrear as mulheres de 25 a 64 anos por citologia oncótica com intervalo trienal, após 2 exames normais.

Em 2014 o Programa Nacional de Imunizações (PNI) introduziu a vacina quadrivalente para meninas de 9 a 14 anos em esquema de duas doses com intervalo de 6 meses. Em 2017 o programa passou a contemplar também os meninos de 11 a 14 anos também no esquema de duas doses.

Na primeira dose, no primeiro ano de implantação a cobertura foi mais de 80%. Na segunda dose, quando o governo retirou das escolas e transferiu para as unidades de saúde, houve queda expressiva das coberturas.

Nos anos subsequentes as coberturas vêm caindo refletindo o pouco interesse nesse importante momento de pandemia.

Com informações da OMS, FEBRASGO e Federação Bras de Ginecologia e Obstetrícia.

 

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