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Andorinha Abril
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Indústria cerâmica amarga pior outubro de 20 anos e não prevê reação para 2017

12 dezembro 2016 - 10h25Redação

Preocupação é a palavra usada pelo presidente do Sindicer/MS (Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Mato Grosso do Sul), Natel Henrique Farias de Moraes, para definir o ano de 2017. De acordo com o empresário e sindicalista, não existe um ceramista otimista para encarar o ano que se aproxima. “Não estamos vendo medidas capazes de reabilitar o mercado. Se nada for feito, se o Governo Federal não tomar atitudes agressivas de retomada do crescimento em paralelo com o ajuste fiscal, o segmento continuará encolhendo”, previu.

Natel de Moraes, que também preside a Anicer (Associação Nacional da Indústria Cerâmica), é enfático ao avaliar o ano de 2016 como um dos mais difíceis que já enfrentou. “Registramos uma média de 40% de recuo nas empresas do segmento. As que não fecharam as portas, viram as vendas caírem consideravelmente. O empresário não tem estabilidade para investir, para fazer compromissos, porque corre o risco de presenciar uma queda ainda maior nas vendas” pontuou, ressaltando que o mês de outubro foi o pior dos últimos 20 anos para as indústrias cerâmicas.

O Cartão Reforma, lançado pelo Governo Federal no início de novembro, não representará mais do que uma gota no oceano, segundo Natel de Moraes. Criado para auxiliar brasileiros com renda mensal de até R$ 1,8 mil a reformarem suas casas, terá início em 2017 e conta com orçamento de R$ 500 milhões. “A ideia do Cartão Reforma é boa, é um programa interessante. Mas, considerando o valor médio de R$ 5 mil por beneficiário, ele alcançará cerca de 100 mil pessoas, número que representa apenas 2,8% das famílias de baixa renda que precisam ter a moradia reformada”, avaliou.

Atualmente, Mato Grosso do Sul tem 118 indústrias cerâmicas, que empregam 1.462 funcionários e faturaram R$ 259 milhões em 2016, de acordo com estimativa do Radar Industrial da Fiems. “Desde que a crise econômica começou, há dois anos e meio, as empresas do segmento não registraram aumento de faturamento, se considerada a inflação no período”, frisou o presidente do Sindicer/MS.

Para o empresário, o Governo Federal está no caminho certo com as propostas das reformas fiscal e trabalhista. “Mas é preciso acertar o timing, que não está em consonância com as necessidades do empresariado. Simplesmente não podemos esperar mais dois anos para vislumbrar uma recuperação”, finalizou, garantindo que o segmento deve ficar estagnado no próximo ano.

 

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