Menu
domingo, 07 de março de 2021
Andorinha Fevereiro
Andorinha Fevereiro
Geral

Índios guatós comemoram chegada de internet em aldeia no Pantanal

21 janeiro 2021 - 08h41Assessoria de Comunicação do TRT

“É um dia histórico para a comunidade guató”, comemorou Laucídio Corrêa da Costa, vice-cacique e coordenador pedagógico da Escola Estadual Indígena João Quirino de Carvalho - Toghopanãa, durante videoconferência realizada na manhã de hoje (20), diretamente da aldeia com representantes da Justiça do Trabalho de Mato Grosso do Sul e da Polícia Militar Ambiental.

Cerca de duzentos indígenas que vivem isolados na aldeia Uberaba, localizada na Ilha Ínsua, a cerca de 330 km de Corumbá-MS, receberam sinal de internet, a única forma de comunicação com a sociedade externa, já que na aldeia não tem serviço de telefonia. “A comunidade fica realmente isolada. A gente precisava dispor de 15 km até o Posto do Exército para fazer comunicação com a cidade”, explica Laucídio. Já para chegar em Corumbá, precisam pegar um barco e navegar durante quase dois dias.

A instalação da internet via satélite foi proporcionada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região e pelo Ministério Público do Trabalho com aplicação de recursos trabalhistas. O pedido foi feito pelos indígenas à Justiça do Trabalho e à Polícia Militar Ambiental durante a 5ª Expedição de Educação Ambiental no Pantanal, organizada pela PMA em parceria com instituições públicas e ONGs, em dezembro do ano passado. O desembargador do TRT/MS João de Deus Gomes de Souza e o juiz do trabalho Márcio Alexandre da Silva estiveram na comunidade no mês passado para divulgar o Programa de Combate ao Trabalho Infantil e se sensibilizaram com a dificuldade de acesso e comunicação dos ribeirinhos.

Hoje, os magistrados participaram da conexão simbólica que marcou esse novo tempo para os guatós. “Eles relataram a necessidade de ter um sinal de internet na localidade, por vários motivos. Primeiro a distância, eles estão absolutamente isolados da cidade. Há um problema muito grande de chegar na aldeia, que demanda muito tempo de viagem por rio. E nos sensibilizou bastante a questão da escola local que, segundo o coordenador Laucídio, toda vez que ele precisava lançar as notas das crianças no sistema da Secretaria de Educação tinha que se deslocar, por um dia e meio, até Corumbá para fazer esse trabalho. Com valores que são provenientes de multas trabalhistas a gente pode atender essa solicitação da aldeia”, esclareceu o juiz do trabalho Márcio Alexandre da Silva.

O desembargador João de Deus Gomes de Souza afirmou que esse é um momento ímpar para os indígenas e a Justiça do Trabalho. “Eu vi ali os excluídos do mundo. Nós conversamos com a comunidade e vimos um povo totalmente isolado. Eu espero que, com essa semente plantada, nós possamos avançar na distribuição da justiça social”, enfatizou o magistrado que lembrou que, no final do ano passado, o TRT/MS levou material esportivo para a escola local, como forma de estímulo ao esporte e diminuição da evasão escolar, iniciativa do Programa Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.

Para o presidente do TRT/MS, o trabalho realizado na aldeia demonstra a missão social dos magistrados e dos recursos provenientes de multas trabalhistas, que devem ter uma destinação nobre. “É muito importante quando a Justiça do Trabalho se aproxima da população que mais necessita de apoio. Hoje, o acesso à internet e à rede mundial de computadores é, sem dúvida também, um exercício de cidadania”, ponderou o desembargador Amaury Rodrigues Pinto Junior.

A mensalidade do serviço de internet será custeada pelas famílias indígenas. O sinal também atenderá a Escola Toghopanãa. A logística de instalação e deslocamento foi proporcionada pela PMA. “A Polícia Militar Ambiental vai para a região e, as vezes, fica uma semana em operação. Essa comunicação é muito importante para nós também”, afirmou o capitão Diego Ferreira da PMA.

Quem são os guatós?

De acordo com o antropólogo e historiador Giovani José da Silva, a terra indígena guató é uma área de cerca de 10 mil hectares que fica na região noroeste de Corumbá. Os únicos acessos à aldeia Uberaba são por vias fluvial ou aérea. A base alimentar dos indígenas é a pesca, caça e a agricultura com o plantio de mandioca, milho e cereais.Escola da Aldeia será uma das beneficiadas Foto: Divulgação

 

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Geral
Aumento da gasolina também causa impacto no preço do etanol
OPORTUNIDADE
Receita Federal abre vagas de estágio em Corumbá
CULTURA
Eleitos os representantes não governamentais para o Conselho de Cultura do município
SEGURANÇA PÚBLICA
Em MS, Senad defende proposta de agilizar leilões de bens do crime organizado
POLICIAL
Bandidos armados usam carro oficial do Governo de MS para roubar casal na Afonso Pena
GERAL
Mãe é detida após espancar bebê de 9 meses com pedaço de madeira em cidade de MS
ESPORTE
Estadual de Futebol 2021 prossegue com mais quatro partidas neste fim de semana
SAÚDE
Redução de testa: Dermatologista de MS explica sobre melhores formas de tratamento
GERAL
Mulher tem bebê em casa e bombeiros prestam atendimentos
SAÚDE
Endometriose pode afetar 10% das mulheres brasileiras

Mais Lidas

OPORTUNIDADE
Receita Federal abre vagas de estágio em Corumbá
GERAL
Mãe é detida após espancar bebê de 9 meses com pedaço de madeira em cidade de MS
POLICIAL
Bandidos armados usam carro oficial do Governo de MS para roubar casal na Afonso Pena
GERAL
Mulher tem bebê em casa e bombeiros prestam atendimentos