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Horta em presídio em Ponta Porã leva ocupação a detentos e auxilia instituições assistenciais

25 julho 2016 - 16h46Agepen
Projeto de ressocialização garante trabalho para os internos. Foto: Agepen

Uma horta instalada no Estabelecimento Penal Masculino de Regimes Semiaberto, Aberto e de Assistência aos Albergados de Ponta Porã (EPRSAAA-PP) está garantindo não só trabalho digno aos detentos, como também complemento saudável na alimentação servida em creches, asilo e em instituições. A ação social beneficia por exemplo, entidades como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e a casa de apoio a pessoas portadoras de HIV da cidade.

A medida faz parte de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção do presídio, a Pastoral Carcerária e Conselho da Comunidade. As instituições parceiras da agência penitenciária são responsáveis por fornecer os insumos necessários para a produção das hortaliças.

Atualmente, 15 reeducandos trabalham no projeto e recebem um dia de remição na pena a cada três de serviços prestados. Além da diminuição no tempo de prisão, a lida com a terra é garantia de conhecimento adquirido para uma nova profissão que poderá assegurar renda quando deixarem o presídio.

“A ocupação também ajuda a gente ocupar a cabeça e não pensar em coisa errada. Ainda mais sabendo que o que a gente produz ajuda pessoas que realmente precisam”, afirma o reeducando José Aparecido Defendi.

Para o diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, a iniciativa de doar hortaliças a instituições filantrópicas do município é uma forma de contribuir com a comunidade diretamente. “O trabalho social é importante para mostrar à sociedade que o sistema penitenciário pode ajudá-la de alguma forma, além do que estamos dando trabalho aos custodiados, ocupando-os produtivamente”, enfatiza.

Stropa destaca ainda a importância de parcerias, como a da Pastoral Carcerária e do Conselho da Comunidade, no sentido de contribuir para a ressocialização dos detentos. “Importante ressaltar também o empenho dos diretores e equipes de servidores, que não medem esforços para desenvolver iniciativas que contribuem a redução da reincidência criminal em nosso estado”, frisa.

A horta

Instalada no início de 2015, a horta recebeu recentemente  a ampliação no espaço, com o objetivo de aumentar a produção e assegurar mais vagas de trabalho aos custodiados, contribuindo de maneira mais significativa com as instituições. De acordo com o diretor da unidade prisional, José Hilton Lacerda, nos atuais 1.163 m² de área local são plantadas diversidades de hortaliças e verduras, entre elas alface, rúcula, salsinha e cebolinha.

Lacerda informa ainda que o estabelecimento penal também possui espaço destinado à instalação de oficinas de trabalho, possibilitando que os internos exerçam trabalho remunerado no próprio presídio por meio de convênios com empresas. “Estamos buscando parcerias com empresários, no sentido de empregar muitos deles aqui mesmo”, disse.

A diretora de Ação Social da Casa de Apoio a Pessoas Vivendo com HIV (GAPE), de Ponta Porã, Eda Aparecida Gonzalez de Souza, ressalta que as verduras são fundamentais na alimentação servida no local, que atende a pessoas com a saúde fragilizada. Na casa de apoio, são servidas, em média, 70 refeições por semana. Conforme a diretora, algumas hortaliças são repassadas também a portadores de HIV carentes, para se alimentarem em suas residências.

“A ajuda do presídio é muito positiva. Ficamos felizes em saber que as verduras são resultado do trabalho honesto de internos e que eles estão se ocupando com uma coisa tão boa”, declara Eda.

 

 

 

 

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