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Funcionários demitidos do hospital não recebem rescisão trabalhista

Alguns funcionários já tinham mais de 30 anos de casa e agora estão desempregados esperando o pagamento. A prefeitura municipal que administra o hospital

26 janeiro 2021 - 20h00Flávia Ibanez

O então Presidente da Junta Administrativa da Associação Beneficente da Santa Casa de Corumbá, Eduardo Aguilar Iunes (irmão do Prefeito Marcelo Iunes) após as eleições municipais 2020 demitiu dezenas de funcionários da Santa Casa de Corumbá, segundo ex servidores, “por perseguição política”, porém o que é mais alarmante é que até o momento ainda não pagou o acerto rescisório de nenhum deles.

Alguns funcionários já tinham mais de 30 anos de casa e agora estão desempregados esperando o pagamento desde dezembro. Eles alegam que foram vítimas de perseguição política e que tudo começou antes das eleições, é que culminou com a demissão maciça após o pleito eleitoral .

Os ex funcionários afirmaram ao Capital do Pantanal que a demissão não foi por conta de cortes de gastos porque outras pessoas já foram colocadas nas funções. Eles também alegam que o pessoal que trabalhava no administrativo nunca recebeu por insalubridade.

Teve funcionária que foi demitida mesmo com atestado médico por Covid e denúncias dão conta que o hospital gasta R$ 25 mil por mês só com o departamento jurídico, “falar que o hospital não tem recurso é uma inverdade”, disse Melissa Vianna que ficou quatro anos na assessoria jurídica da Santa Casa. Ela afirma que foi demitida por perseguição política e até o momento está sem receber o acerto. “Alguns amigos próximos ao prefeito disseram que por eu ser parente de político, estava coligada com outro partido, apoiando outro candidato e eu seria demitida logo após a eleição, e foi que de fato aconteceu”, ela ressalta que já estava preparada, mas o que não esperava é que fossem demitir e dar um calote.

“O RH fala que já encaminhou para a tesouraria o valor da rescisão e na tesouraria falam que precisa questionar quem nos mandou embora”, contou Melissa.

Tânia Marques Galvão tinha 33 anos de casa e não sabe porque a demitiram. “Nunca entrei em questões políticas e nem gosto. Nunca misturamos política com o nosso comprometimento e responsabilidade nas funções. O que eu quero agora é o meu acerto, porque cheguei das minhas férias no final do ano e fui demitida, passei o Natal sem dinheiro, e todos nós temos família e nossos compromissos”, comentou.

Seu Antônio Franco já tinha 9 anos trabalhando no hospital e também foi demitido por perseguição política. “O meu caso foi porque sai candidato apoiando um concorrente do prefeito. Eu já esperava que isso ia acontecer, quando retornei das minhas férias me mandaram embora”, relatou.

Os funcionários esclareceram ao Capital do Pantanal que sempre foram funcionários comprometidos. “Na pandemia principalmente, deixamos nossas famílias em casa, trabalhávamos final de semana quando requisitados. A Santa Casa está sendo muito mal administrada já algum tempo, e algum dia, se não nós aqui, algum parente nosso vai precisar do hospital, então precisamos cuidar do hospital e nós sempre fizemos isso”, desabafou Melissa, ela também lembrou que recursos vem para a Santa Casa porém a administração repassa a verba para as empresas que priorizam.

“Queremos receber o que é de direito nosso, o que nós trabalhamos. Falar que o hospital não tem dinheiro é mentira, porque a verba vem mas eles priorizam o que querem. Mas rescisão e verba alimentar tinham que ser prioridade”, afirmou Melissa.

Os funcionários demitidos também reclamaram que o hospital retém o INSS e o FGTS e não repassam, e por isso tem alguns que não vão conseguir dar entrada no seguro desemprego porque a administração não paga o FGTS, apesar de descontar na folha.

Os funcionários disseram que já estão tomando providências jurídicas e pretendem entrar com uma ação coletiva no Ministério Público Federal (MPF).

 

 

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