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Exportação de industrializados de MS tem melhor agosto dos últimos 4 anos

17 setembro 2018 - 09h54Kamilla Marques

A receita com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentou crescimento de 24% nos primeiros oito meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, aumentando de US$ 1,90 bilhão para US$ 2,35 bilhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Se considerarmos apenas agosto deste ano comparado com agosto do ano passado, o aumento nas exportações de industrializados foi de 9%, saltando de US$ 289,7 milhões para US$ 316,5 milhões.

Na prática, esse montante representa o melhor resultado das exportações sul-mato-grossense para o mês de agosto dos últimos quatro anos, conforme a avaliação do coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende. “Em relação ao volume, no ano, tivemos aumento de 8% e, quanto à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 70% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul, enquanto no acumulado do ano a participação ficou em 59%”, detalhou.

O economista explica que, de janeiro a agosto, os principais destaques ficaram por conta dos grupos “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Extrativo Mineral”, “Óleos Vegetais”, “Açúcar e Etanol” e “Couros e Peles”. “A produção desses grupos somadas representaram 98% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de produtos industriais ao exterior”, informou.

Celulose e carnes

No grupo “Celulose e Papel”, a receita no período avaliado foi de US$ 1,27 bilhão, crescimento de 100% nos oito meses de 2018 comparado com a somatória de janeiro a agosto de 2017, dos quais 105% foram obtidos apenas com a venda da celulose (US$ 1,24 bilhão), tendo como principais compradores China, com US$ 690,9 milhões, Itália, com US$ 143,3 milhões, Holanda, com US$ 104,1 milhões, Estados Unidos, com US$ 81,8 milhões, e Coreia do Sul, com US$ 35,7 milhões.

“A produção de celulose segue em expansão, registrando recordes consecutivos nos últimos anos. Tal resultado é derivado da demanda externa aquecida, principalmente na China e na Europa. Cenário continua positivo para 2018 com preços em elevado patamar e produção em crescimento”, destacou Ezequiel Resende.

Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida na soma de janeiro a agosto deste ano foi de US$ 565 milhões, uma redução de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 36,5% do total alcançado são oriundos das carnes bovinas desossadas congeladas, que totalizaram US$ 206,3 milhões, tendo como principais compradores Hong Kong, com US$ 124,4 milhões, Chile, com US$ 95 milhões, China, com US$ 37,8 milhões, Arábia Saudita, com US$ 37,4 milhões, e Irã, com US$ 35,8 milhões.

“O recente desempenho do comércio brasileiro com os BRICS mostra como os produtores de carne do país estão direcionando seus esforços para a China na intenção de mitigar os impactos causados pela restrição russa à proteína animal. Atualmente os embarques de carne para a Rússia pararam completamente, enquanto as exportações de carga refrigerada da China continuam crescendo”, ressaltou o economista.

Outros grupos

O grupo “Extrativo Mineral” aparece em terceiro com melhor desempenho, tendo uma receita de US$ 166,7 milhões no período analisado, aumento de 25% comparado com a somatória de janeiro a agosto do ano passado, sendo que 79,9% desse montante foi alcançado pelos minérios de ferro e seus concentrados, que somaram US$ 102,3 milhões, tendo como principais compradores Argentina, com US$ 97,6 milhões, e Uruguai, com US$ 64,5 milhões. 

“Investimentos em minério de ferro vinham desacelerando nos últimos anos, refletindo a sobre oferta global e consequentemente, preços menos atrativos. Mesmo assim, a produção global será crescente com a entrada de projetos na Austrália e aceleração da produção no Brasil. Preços de minério de ferro neste ano devem ficar em torno de US$ 65,00 a tonelada. O preço, portanto, ficará abaixo da média registrada em 2017, de forma a equilibrar aceleração da demanda mundial e a expansão da produção”, detalhou Ezequiel Resende.

Para o grupo “Óleos Vegetais”, a receita alcançou US$ 150,9 milhões nos oito primeiros meses deste ano, um crescimento de 90% na comparação com o mesmo período do ano passado, com destaque para farinhas e pellets, que somaram US$ 104,6 milhões, tendo como principais compradores Tailândia, com US$ 46,2 milhões, Indonésia, como US$ 23,9 milhões, Vietnã, com US$ 21,8 milhões, Coreia do Sul, com US$ 16,5 milhões, e Holanda, com US$ 9,6 milhões.

“A quebra da safra argentina de grãos está rendendo bons resultados para a cadeia produtiva de soja no Brasil. A demanda adicional gerada pela redução da oferta no vizinho, deverá elevar os embarques do segmento para perto de US$ 40 bilhões em 2018, o melhor resultado da história. Para o farelo, a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) passou a projetar exportações de 17 milhões de toneladas neste ano, quase 20% mais que em 2017, a um preço médio de US$ 390 por tonelada, 11% superior na mesma comparação”, pontuou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

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