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Enfermeiros em protesto, afirmam suicídios indicam pressão no setor

28 janeiro 2019 - 08h20Wilson Aquino/Campo Grande

 

O registro de dois casos de suicídio de profissionais de enfermagem neste início de ano em Campo Grande demonstra que a categoria está certa em lutar pela redução da jornada de trabalho de 44 para 30 horas semanais, como reivindicou neste domingo (27) em manifestação nacional. Na capital, centenas de enfermeiros, técnicos em enfermagem e outros profissionais da área se reuniram na Praça do Rádio a partir das 11 da manhã, informa a coordenação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Institutos Federais de Ensino de MS – SISTA/MS.

Com faixas e cartazes, muitos profissionais de enfermagem vieram direto dos hospitais para a manifestação pública que pede a redução de jornada para 30 horas semanais, já adotada em alguns hospitais no país e melhores condições salariais e de trabalho.

Cléo Gomes, coordenadora do SISTA/MS informa qe a categoria reivindica piso salarial para evitar discrepâncias que existem atualmente como no interior de Mato Grosso do Sul onde profissionais de enfermagem recebem salário de R$ 1,6 mil enquanto que na Capital tem salários de até R$ 3 mil/mensais. “Não podemos mais conviver com esse tipo de coisa. Precisamos acabar com essas discrepâncias e valorizar os profissionais com salários dignos e condições de trabalho condizentes com as funções”, afirma a coordenadora.

Profissionais alertam para a problemática. Foto: Wilson Aquino

Sobre os dois casos de suicídios, o SISTA/MS informa que com três empregos e afastado há três meses pela psiquiatria, recebendo pelo INSS, o técnico de enfermagem William Flávio Corrêa Franco, 37 anos, se matou no banheiro do CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa, no dia 25 de janeiro, três dias depois de retornar ao trabalho.

No dia 2 de janeiro, a enfermeira Janaína Silva e Souza, 39 anos, foi encontrada morta na casa onde vivia, em Campo Grande. Próximo ao corpo, frascos de medicamentos e uma seringa - e, conforme investigação policial, teria cometido suicídio. Janaína trabalhava no Hospital Regional.

Esses dois casos, segundo o SISTA/MS demonstra bem a pressão que os profissionais de enfermagem trabalham. Tem sido comum casos de estresse e de outros problemas de saúde entre os profissionais que vivem sob constante pressão por conta de um trabalho exaustivo físico e psicologicamente. “A redução da carga horária para 30 horas semanais deverá proporcionar mais qualidade de vida para esses importantes profissionais da nossa comunidade”, ressalta Waldevino Basílio, coordenador geral do SISTA/MS.

Na manifestação deste domingo, presentes também representantes do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul – Coren-MS, Vereador de Campo Grande, Hederson Fritz; ABEn-MS, Coordenadoria Estadual do MAE (Movimento dos Ativistas pela Enfermagem do Brasil) e profissionais de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande, Hospital Regional Rosa Pedrossian; Clínica Campo Grande e Hospital do Câncer, Adufms e outras entidades.

No setor público, muitos municípios e estados já adotam as 30 horas para os profissionais da enfermagem. Mas a categoria quer que essa mudança seja regulamentada em forma de lei para ser cumprida em todo país, ressalta Cléo Gomes.

“É importante ressaltar também que com essa redução da carga horária para 30 horas semanais, os órgãos de saúde de Mato Grosso do Sul e de todo o país terão profissionais mais atuantes em suas funções, melhorando seu desempenho profissional nesse período mais enxuto. Ou seja, a assistência de enfermagem será de melhor qualidade”, explica Cléo Gomes, do SISTA/MS.

 

 

 

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