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Defesa Civil socorre ribeirinhos do Taquari durante ação da prefeitura de Corumbá

21 julho 2018 - 08h28Assessoria de Comunicação

A decretação da situação da emergência em Corumbá, reconhecida pelo Governo do Estado e homologada pela União, devido à cheia no Pantanal, surtiu seus primeiros efeitos como socorro humanitário para as comunidades tradicionais que habitam a região do Rio Taquari. Em apoio à prefeitura local, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) distribuiu 548 quilos de alimentos para os ribeirinhos e realizou um levantamento da situação em que vivem.

O coordenador da Cedec/MS, tenente-coronel Fábio Santos Catarineli, acompanhou durante uma semana a realização do Programa Povo das Águas, desenvolvido desde 2010 pela Prefeitura de Corumbá em atenção às pessoas que margeiam os rios Paraguai e Taquari. Nesta edição, iniciada no dia 14 e encerrada nesta sexta-feira (20), 225 famílias do baixo Taquari atingidas pela cheia receberam assistência médica e social e foram recadastradas para receber outros benefícios.

“Identificamos uma população vulnerável socialmente, isolada no Pantanal, com dificuldades de acesso à cidade e problemas sérios com a qualidade e falta de água, apesar da cheia, reflexos do efeito crônico e histórico do assoreamento do Taquari”, definiu o coordenador da Cedec/MS. “Vamos estreitar a parceria com o município e, juntos, buscar recursos federais para ampliar o atendimento a esta e outras comunidades ribeirinhas que sofrem com cheia e seca”, completou.

Nove ações por ano

Catarineli percorreu de bote à motor mais de 560 km pelos rios Negrinho e Taquari em 16 horas, durante os cinco dias da ação, e concluiu que a situação dos ribeirinhos é crítica e merece maior atenção do poder público. Ao lado da coordenadora do Povo das Águas, pedagoga Elisama Freitas Cabalhero, o representante do Governo do Estado conversou com os moradores, todos pequenos produtores, e ouviu deles o mesmo relato: o desastre ambiental do Taquari empobreceu a todos.

O assoreamento do rio inundou milhares de hectares de grandes fazendas e das colônias do Bracinho, São Domingos, Cedro, Limãozinho, Coxirão, Cedrinho e Rio Negro, que viviam em prosperidade. Jeferson Arruda, 38, do Corixão, conta que sua família vendia toneladas de banana e mandioca levadas de lancha para Corumbá. “Hoje não temos como retirar a produção, a terra ficou pobre com a cheia e não produz”, afirmou. “A água não serve pra beber, é salobra e o poço seca.”

O programa social desenvolvido pelo município garante acesso à saúde médica e odontológica, inclusive atendimento prioritário em postos na cidade, e direciona os ribeirinhos para benefícios garantidos por lei, dentre os quais o Bolsa Família, cadastro de vulnerabilidade e aposentadoria, e confecção de documentos pessoais. A ação é realizada o ano todo, durante nove etapas, e abrange as regiões do Rio Paraguai (alto e baixo Pantanal) e Taquari, totalizando 675 famílias assistidas.

Cesta básica: prioridade

As comunidades que se concentram nas margens do Rio Paraguai, desde a divisa do Estado com Mato Grosso (Norte de Corumbá) ao Forte Coimbra (ao Sul, limite com Porto Murtinho), vivem da pesca, seja na venda de peixe ou isca ou trabalhando de piloteiro para os barcos de turismo. Os taquarizanos, nativos que formam colônias, viviam em bonança com grandes lavouras e pecuária até as inundações permanentes causadas pelo Taquari. Hoje, produzem apenas para a sobrevivência.

“O que esses colonos precisam é de meios de transporte para a cidade, seja de pessoas ou dos produtos que antigamente eram cultivados em grande escala, como banana e mandioca, os quais abasteciam Corumbá”, explica Elisama Cabalhero, descendente desses colonizadores. O Povo das Águas, segundo ela, proporcionou a melhoria da qualidade de vida de uma maneira geral. “A cesta básica é essencial para eles, que perderam o poder aquisitivo com o desastre do Taquari.”

A ação concluída nesta sexta-feira, a 71ª desde que a criação do programa, envolveu uma equipe de 25 pessoas formada por médicos, dentistas, enfermeiros e agentes de saúde, assistência social e educação. O grupo viajou em um barco-hotel desde o porto de Corumbá ao encontro das águas dos rios Paraguai-Mirim e Negrinho, a 60 km da cidade. Deste ponto, todas as manhãs, as equipes em oito botes saiam em direção aos portos – o mais distante, Sairu, ficava a 90 km, em três horas.

Bombeiro resgata doente

A cheia do Pantanal ainda persiste na região e dificultou a navegação. No trecho do Rio Negrinho, entre o barco-hotel e o Taquari, o canal sem margem sofre entupimento constante de plantas aquáticas, exigindo experiência dos piloteiros para não se perder naquela imensidão de água. Ao atingir o Taquari, cujo novo canal desagua no Negrinho – antes do assoreamento, caia no Rio Paraguai -, a concentração de areia e troncos aumenta o risco de acidentes em trechos rasos.

Colono Magno Castelo é socorrido pelo corpo de bombeiros?. Foto: Divulgação.

No segundo dia da presença do Povo das Águas no Taquari, uma situação de emergência mudou a rotina da expedição. Durante o atendimento no Porto Sagrado, a rápida ação da Defesa Civil do Estado e da coordenação do programa garantiu o deslocamento do colono Magno Castelo, 33 anos, para o hospital de Corumbá, com o apoio do Corpo de Bombeiros. O rapaz quebrou um dos braços e chegou ao local do atendimento com muita dor, após andar a pé e a cavalo por mais de uma hora.

Nesta ação, o Governo do Estado distribuiu ainda 675 galões de água potável, de um total de 1740 nas cinco ações desse semestre. A prefeitura entregou 250 cestas, somando 1.380 quilos de alimentos com as 219 fornecidas pela Cedec/MS. O Povo das Água atendeu 350 pessoas na área médica; enfermagem, 356; e dentistas, 124, com 521 procedimentos. O Cras itinerante assistiu a 721 pessoas. Foram vacinadas 197 pessoas, com a aplicação de 366 doses, e distribuídos 240 cobertores.

 

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