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Cadela atropopelada e abandonada a própria sorte é salva por corrente do bem

23 setembro 2016 - 14h00Gesiane Medeiros
Polenta foi adotada por Gissele, quem tem outros cinco cães, mas mesmo assim resolveu fazer o bem. Foto: CDP

A estudante de direito da UFMS-Pantanal (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e o médico Wandilson Xavier, não imaginavam o quanto essa história repercutiria na cidade, quando no dia 29 de julho, por volta das 19 horas, resolveram juntos resgatar uma cadela que aparentemente havia sido atropelada e abandonada a sorte do destino na Avenida Rio Brando. Eles também não imaginavam que diversas pessoas, apoiariam a causa e montariam uma verdadeira corrente do bem para salvar a cadela, que recebeu o nome de Polenta. Amigos da universidade, veterinário e diversas outras pessoas apoiadoras da causa animal se uniram para que hoje, com o uso de uma cadeira de rodas, a cadela que ficou paraplégica, pudesse desfrutar de carinho e cuidados com sua nova dona.

Como tudo começou

Bruna Freitas, quem resgatou a cadela da rua junto com Wandilson Xavier, explica que no dia estava indo para a faculdade resolver uma questão, na hora não pode parar imediatamente, mas também não conseguiu tirar a imagem da cadela se arrastando pela rua, com risco de perder a vida, retornou uns 30 minutos depois, e encontrou a cadela na quadra seguinte onde tinha a visto pela primeira vez. Wandilson, que estava praticando corrida no dia, também havia parada na intenção de resgatar o animal, os dois que não se conheciam, decidiram levar a cadela até uma clínica veterinária 24 horas da cidade para realizar consulta.

“Na hora não pensei muito, minha vontade era de salvar a cadela, não sei como alguém pode fazer isso com um ser vivo e deixá-lo abandonado, somente depois pensei que teria que conseguir um lar para ela e que aquela boa ação geraria custos. Na minha casa não daria para ela ficar, porque tenho uma sobrinha muito alérgica, no primeiro momento o Wandilson se prontificou a adotar ela, mas depois percebeu que morar sozinho e a vida agitada de médico, não permitiria com que ele se empenhasse em todos os cuidados que ela iria precisaria”, explicou Bruna.

Polenta já está totalmente adaptada ao uso da cadeira de rodas. Foto: CDP

A partir desse empasse pessoas que tiveram conhecimento do caso, foram se envolvendo na história, como Valéria Curvo da ACLAA (Associação Corumbaense e Ladarense de Apoio aos Animais), que divulgou o caso nas redes sociais e intermediou a adoção da cadela, as consultas com o segundo veterinário que cuidou do caso e também ajudou com materiais para construção da cadeira de rodas. Amigos de turma de Bruna, também se envolveram na causa e fizeram “vaquinha” para custar os gastos com o tratamento médico inicial da cadela.

Um novo lar para Polenta

Gissele Fernandes, quem adotou a Polenta, disse ao Capital do Pantanal, que já possui cinco cachorros, mas que algo tocou em seu coração para ficar com a cadela. “Eu soube do caso pela rede social e em determinado dia, resolvi perguntar apara Valéria se alguém já tinha adotado a cadela, ela disse que não, então resolvi ficar. No dia 31 de julho, o Wandilson trouxa a Polenta pra mim e estou muito feliz por poder dar um lar a ela. Acredito que recebemos o bem quando fazemos o bem”, diz Gissele, que faz um apelo para quem puder ajudar com fraldas, já que a cadela  terá que usá-las pela vida inteira.  

O veterinário Leandro Santana, quem realizou a continuidade do tratamento da Polenta até o uso da cadeira de roda, disse que mesmo já tendo atendido diversos casos graves, o da Polenta é especial, “é muito gratificante poder proporcionar melhores condições de vida a um ser, a Polenta teve uma melhora de qualidade de vida de pelo menos 90% com a cadeira, que foi produzida por alguém que nunca tinha feito uma dessas”.

Leandro explica que há fortes indícios clínicos que comprovam que o caso da polenta se trata de um atropelamento, que afetou diretamente a lombar e a deixou paraplégica, hoje, ela usa fraldas diariamente para fazer suas necessidades, “em Corumbá não temos veterinários especialistas em ortopedia animal, se não fosse a boa vontade do grupo que se uniu, a realidade da Polenta seria outra”, enfatiza o veterinário. Dr. Leandro foi quem realizou uma cirurgia na Polenta para retirar uma carne esponjosa que se formou na perna direita, por conta do longo período que a cadela ficou se arrastando no chão, “criou feridas de escaras, assim como acontece com pacientes acamados, que ficam deitados na mesma posição por muito tempo”.

O grande final feliz

A cadeira de rodas foi confeccionada por um militar reformado, curioso e com habilidades para trabalhos manuais, Alexandre Santos, diz que possui outros animais em casa e quando soube do caso da Polenta, resolveu ajudar. “Conheço o Leandro e a esposa dele há tempo, ele conversou comigo sobre o caso da cadela e disse que iria pesquisar, estudei como poderia fazer a cadeira, tirei as medidas da Polenta, fizemos testes, ajustes e no final deu tudo certo”, fala Alexandre com alegria.     

Alexandre já se prontificou a confeccionar outras cadeiras para animais que possam surgir com a necessidade, pessoas interessadas em ajudar, podem doar rodas de apoio para bicicleta de criança, segundo o militar aposentado, elas são mais leves e melhores para ajudar na locomoção das cadeiras.

A história Polenta não poderia ter um final mais feliz, uma única cadela, conseguiu despertar sentimentos nobres de amizade, doação e união a pessoas que se quer se conheciam, mas juntos, conseguiram transformar um acontecimento que teria tudo para terminar de forma trágica em uma linda história.

 

Interessados em contribuir podem entrar em contato com Valéria da ACLAA pelo telefone 67 99974-8382.

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