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Andorinha: “alguém deve estar levando vantagem”, diz vereador sobre concessão da linha Corumbá/Campo Grande

08 fevereiro 2017 - 14h35Sylma Lima

No final de 2016 o vereador Evander Vendramini, PP, fez uma audiência pública na Câmara Municipal de Corumbá a fim de discutir as tarifas praticadas no trecho Corumbá/Campo Grande pela detentora da concessão, a empresa Andorinha. Ocorre que a direção da empresa não compareceu no ato, e tão pouco justificou a ausência. O vereador, atendendo anseio popular, pesquisou preços de passagens por quilometragem em todo pais e descobriu que os 435 km que liga Corumbá a capital do estado é o mais caro do pais. E para piorar a empresa cortou a carteira de estudante, que permitia aos filhos de corumbaenses que estudam fora a tarifa diferenciada (meia passagem), não colocando ônibus leito na rota e com tarifas altíssimas, chegando a R$ 134 o percurso no chamado “executivo”. Vendramini disse ao Capital do Pantanal que o Ministério público está investigando porque somente a Andorinha consegue fazer essa rota há mais de 30 anos, e nenhuma outra empresa pode operar, o que acarretaria em uma concorrência leal, como acontece em todo pais.

Durante a audiência a AGEPAN participou, pois é ela que regula as tarifas, mas não explicou os valores abusivos,  “minha proposta é que tem que haver concorrência. Acompanho as reclamações dos usuários há muitos anos, os preços da passagem intermunicipal em Corumbá é um absurdo. O valor do quilômetro de Corumbá até Campo Grande é muito maior do que o cobrado de Campo Grande para Coxim ou Sonora e outras regiões. Convidei o Ministério Público e a AGEPAN, Agência reguladora que calcula o valor da passagem, convidei também a empresa. O gerente da Andorinha ligou e informou que não iria comparecer porque não havia nada para discutir. Ora! A empresa tem a concessão do serviço há 30 anos e chega ao ponto de falar que não viria à audiência para discutir o caso” questionou o vereador.

“Na audiência, alguns pontos foram elencados e discutidos, por exemplo, a AGEEPAN, em resposta a um questionamento meu, afirmou que a passagem de Corumbá é mais cara porque os ônibus que vêm para cá são de 38 lugares e, no dia ficou claro que não é, os carros utilizados no transporte possuem 44 lugares. Só aí já implica numa redução de 15% no valor da passagem”.

Outro questionamento foi quanto a parada em Miranda. “ Porque a Andorinha só para no Zero Hora? Tem que parar na rodoviária de Miranda ou nem mesmo interromper a viagem. O preço de um salgado no Zero Hora é em média R$ 5,90, imagina quem viaja para um tratamento de saúde e é obrigado a comer o salgado e beber o refrigerante mais caro da estrada. A empresa se quer oferece a opção ao passageiro poder se locomover até um restaurante ou lanchonete próxima, pode acontecer o ônibus partir e o passageiro ficar. Isso caracteriza venda casada, em troca a Andorinha ganha as refeições para os motoristas. Em minha opinião, alguém tem levado alguma coisa nessas renovações, há algo estranho, não sei quem nem o que é”

Segundo o vereador o contrato de renovação com a Andorinha vence este ano. Ele cobra posicionamento do governo estadual no sentido de oferecer outras companhias no processo licitatório, “nossa cobrança é que o governo do estado, que detém o direito de concessão, não renove o contrato em 2017, e abra uma licitação para a concorrência entre três empresas. A Andorinha não respeita Corumbá, se respeitasse o gerente ou representante teria comparecido a audiência, ele está se ‘lixando’ pela prestação de serviço na cidade”.

Contraste

“ Fui para Santa Cruz (BO) na semana passada e paguei R$ 75 na passagem em um ônibus leito com cortina, que percorreu 650 quilômetros. Sabemos que no país vizinho o combustível é mais barato, mas mesmo assim faço uma conta simples quanto aos preços praticados pela empresa: um ônibus com 44 lugares a R$ 130 a passagem soma mais de 5 mil reais, como o carro vai e volta no mesmo dia para a cidade, o que resulta em duas viagens diárias, o faturamento sobe para 10 mil reais, em 30 dias chega a 300 mil e no ano atinge 6 milhões de reais. A concessão da Andorinha em Corumbá é o melhor negócio de transporte do Brasil! Não é possível que ela vá continuar explorando pessoas necessitadas. É um absurdo manter essa concessão.

A AGEPAN sabe dos fatos e não tomou providência alguma. Encaminhei o processo para o Ministério Público que está apurando. Pergunto pela responsabilidade do governador. Precisamos quebrar o monopólio, tem que haver concorrência de preço, o consumidor tem direito a escolher pelo serviço e preço que melhor lhe convir”, disse Vendramini.

A audiência pública mostrou os fatos e deu resultados, de acordo com a ata da reunião, “ mas as autoridades competentes, AGEPAN e Governo do Estado, precisam tomar providências. O único que tem feito alguma coisa para ajudar nesse sentido é o deputado estadual Amarildo Cruz, que compareceu no dia”.

Quanto a interferência no processo que regulamenta a concessão, o vereador disse que é um assunto de responsabilidade do governo do estado com a aprovação da assembleia, “ me chama atenção essa concessão não ser renovada há 30 anos, em condições como esta, as vantagens da empresa são claras, explora o povo corumbaense e boliviano. Mas vejo que algo está estranho nessa renovação.! Não é possível continuar dessa forma”.

Atualmente, o vereador Evander Vendramini é o Presidente do Legislativo Corumbaense, biênio 2017/2018. A redação desse jornal entrou em contato via telefone com a referida empresa e até o momento não recebeu nenhum retorno das ligações.

 

 

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